Logo após ser decretada a pandemia por Covid-19 em março de 2020, já se sabia que o vírus afetava de alguma forma o sistema neurológico, pois tanto o paladar quanto o olfato foram sintomas apresentados por pacientes italianos.

No início das contaminações a Covid-19 foi tratada como uma “simples infecção” do trato respiratório, mas a medida em que a infecção foi se alastrando, notou-se que muitos órgãos também eram afetados pela infecção, inclusive o cérebro. Após isso, investigações mais específicas de como o vírus afeta as funções cerebrais foram inicializadas, abordando possíveis danos neurológicos.

A partir disso descobriu-se que o vírus utiliza a mucosa olfatória, como porta de entrada para o cérebro. “Isso se dá devido à proximidade anatômica entre as células da mucosa, os vasos sanguíneos e as células nervosas na área. Uma vez instalado na mucosa olfatória, o vírus parece usar conexões neuroanatômicas, como o nervo olfatório, para chegar até o cérebro”, afirmou a Dra. Helena Radbruch, ela e sua equipe analisaram, amostras da mucosa olfatória e mais quatro regiões do cérebro de 33 pacientes que tiveram a forma grave da doença e não resistiram.

Já no Brasil os pesquisadores do Instituto D’Or e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avançaram em estudos voltados à mesma temática e concluíram que, além da mucosa olfatória, existem diferentes formas de o vírus atingir o cérebro. Sendo uma delas a partir da progressão da infecção para diferentes órgãos e a inflamação sistêmica a torna ainda mais grave, o que facilitaria a entrada do vírus no cérebro. Em um dos estudos realizados em uma autópsia, foi comprovada a existência de uma infecção viral grave no plexo coróide, estrutura do sistema nervoso central protegida pela barreira hematoencefálica, e a partir desse estudo foi possível identificar que o novo coronavírus era capaz de romper a barreira hematoencefálica e se infiltrar em regiões do cérebro.

Depois dessa descoberta foram realizados estudos em um modelo simplificado do cérebro humano, que permite acompanhar o funcionamento da infecção causada pelo novo coronavírus. E com base nesse estudo foi possível provar que o vírus consegue chegar e provocar um certo dano, mas não consegue se multiplicar. Outra importante descoberta foi o fato de que a infecção causa a redução das células responsáveis pelo desenvolvimento dos neurônios.

Em outros estudos brasileiros foram identificadas alterações neurológicas no córtex cerebral, e doenças com ansiedade, depressão, perda de memória e de funções cognitivas. Em algumas amostras também foram encontradas alterações que sugerem ter ocorrido prejuízo ao sistema nervoso central.

Pesquisadores da plataforma científica Pasteur-USP mostraram outro ponto interessante da relação entre cérebro e Covid-19. Alterações metabólicas em células da glia infectadas.

Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science

Fontes:

- Agência FAPESP

- Revista Galileu

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