
A produção científica está ligada à composição e persistência de qualquer grupo social em qualquer tempo e lugar; correlacionando os processos de criação, organização, gestão, de conhecimento. Mas não basta só fazer ciência, temos que difundir esse conhecimento para a sociedade, e é nesse momento em que a divulgação científica se torna importante, pois ela é o elo entre a ciência universitária, a produção do saber e sua socialização comunicativa (ANDRADE, RIBEIRO E DE BARROS PEREIRA, 2009).
Bueno (2010) discorre que divulgação científica é “a utilização de recursos, técnicas, processos e produtos (veículos ou canais) para a veiculação de informações científicas, tecnológicas ou associadas a inovações ao público leigo”. Desta forma podemos compreender que o autor enfatiza que a divulgação científica nada mais é que uma forma de disseminar o conteúdo científico buscando recursos que facilitem ao público sua compreensão.
Teles e Oliveira (2021) ressaltam que “o público da divulgação científica não necessariamente é alfabetizado cientificamente e por isso qualquer termo técnico ou conceitos, que não fazem parte do seu cotidiano, trazem dificuldades para acompanhar determinados temas ou assuntos e, por esse motivo, há a necessidade de existir a decodificação utilizando metáforas, ilustrações, dentre outros recursos para facilitar ao público sua compreensão”.
E quando se fala sobre saúde, essa divulgação torna-se ainda mais importante, para que a população em geral tenha um conhecimento mínimo de ciência para tomar decisões comuns no seu cotidiano, como, por exemplo, saber discernir o que é verdadeiro ou não sobre as vacinas desenvolvidas para Coronavírus.
Outra situação que demonstra a necessidade de divulgar a ciência feita pela área da saúde, é quando as pessoas ficam doentes e percebe-se que elas não conseguem compreender alguns termos técnicos básicos da área médica, os quais seriam necessários para o enfrentamento daquela situação com autonomia, tornando importante não somente a divulgação da saúde, mas também da educação em ciências, como uma forma de alfabetização científica (MOHR, 2009).
Saber sobre ciência torna-se imprescindível para a sobrevivência humana, e a forma mais palpável para adquirir esse conhecimento é através da divulgação científica. Ela se torna importante também para quem a faz, pois essa pessoa transforma-se em elo entre a ciência e a sociedade.
Texto por Paula Ed uarda Rocha | Ipedss Science
Fontes:
- Andrade, M. T. T., Ribeiro, N. M., e de Barros Pereira, H. B. Um estudo sobre a difusão e o compartilhamento do conhecimento na cultura acadêmica. In: Nuevas perspectivas para la difusión y organización del conocimiento: actas del congreso. Servicio de Publicaciones, p. 973-985, 2009.
- BUENO, W.C. Comunicação Científica e Divulgação Científica: aproximações e rupturas conceituais. Revista Informação & Informação, v.15, n.esp., p.1-12, 2010.
- MOHR, A. ES na escola: panorama e questionamentos a partir de depoimentos de professores de Ciências de Florianópolis. In: SELLES, S.E.; FERREIRA, M.S.; BARZANO, M.A.L;SILVA, E.P.Q. (org). Ensino de biologia: histórias, saberes e práticas formativas. Uberlândia: EDUFU, p.107-129, 2009.
- Teles, T. de P. Z., e Oliveira, J. R. S. de. O uso de textos de divulgação científica na educação em saúde: uma revisão de atividades didáticas. Ensino, Saúde e Ambiente, 13(3), 01-20, 2021.
