
Com a chegada da pandemia de covid-19, os profissionais da saúde acabaram por receber jornadas de trabalho cada vez mais desgastantes, o que acaba por causar desgastes físicos e mentais. Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, Analisou um total de 4. 384 profissionais da saúde, revelando que aproximadamente 41,4% deles após a pandemia começou a apresentar sintomas de insônia, e/ou a piora de quadros de insônia. Constatou-se também que houve um aumento de 13% no número de profissionais que buscaram tratamentos medicamentosos para tratamento de insônia.
"Os resultados do estudo, cujo autor principal é o professor Luciano Drager, da FMUSP, foram publicados em setembro de 2020, em versão preprint (sem a revisão de pares), na plataforma medRxiv."
Os dados da pesquisa foram adquiridos através de uma informação única, em um questionário aplicado em junho de 2020 (on-line), realizado pela Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS), que alcançou todas as regiões. Os entrevistados possuíam em média cerca de 44 anos de idade, mais de 70% eram mulheres, e mais de 50% médicos ou médicas, além de outros profissionais como enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos etc. Mais da metade deles estavam atuando, em cuidados direto com pacientes com covid-19. E cerca de 10% deles disseram ter sido contaminados pelo vírus.
De acordo com a pesquisadora responsável pelo trabalho, afirma que distúrbios do sono, como a insônia, causam impactos negativos na atuação desses profissionais, e em alguns casos esses profissionais acabam por ficar dependentes a longo prazo de fármacos. Demonstrando que há uma necessidade de mudança nas condições ás quais esses profissionais estão sujeitos, “Os resultados demonstram que os profissionais de saúde já estavam sofrendo os efeitos da pandemia após poucos meses de trabalho, o que significa que hoje, um ano depois, a situação deve estar agravada”, completa.
Também é apontada a urgência de programas dedicados ao sono e à saúde mental para profissionais que atuem na área da saúde. “É necessário avaliar a carga horária de trabalho desses profissionais, de modo a lhes dar tempo para descanso e recuperação”, afirma Claudia.
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Por Charger Souza
Fonte: Jornal da USP
