O estado de Pernambuco está sofrendo com o aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), dados enviados diariamente pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) mostram que as solicitações são, sobretudo, de leitos para pacientes.

Os dados apontam que por pelo menos cerca de 8 dias, um número superior a 80 bebês e crianças esperavam pela regulação e liberação de leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Bem diferente dos leitos para adultos, eles estão com um número menor de procura, e poucos destes são para SRAG.

Os casos ganharam ainda mais repercussão quando uma de bebê 1 mês acabou falecendo após esperar por cerca de 4 dias por uma liberação de vaga em UTI, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. um menino de 11 meses também morreu à espera de um leito de UTI em um hospital do Recife.

Segundo o secretário de Saúde, André Longo, Pernambuco teve um aumento de casos de doenças respiratórias como nunca tinha tido e com um maior grau de severidade e também maior frequência de solicitação de leitos pediátricos.

Em entrevista coletiva na semana passada, o secretário afirmou que o foco é nas crianças de até 2 anos, predominando o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que é um dos principais agentes de uma infecção aguda nas vias respiratórias, a qual pode afetar os brônquios e os pulmões. Em crianças com mais de 2 anos, predomina o rinovírus, causador do resfriado comum, após a pandemia observou-se um grande aumento desse tipo de infecção viral em todo o mundo.

O médico pediatra Eduardo Jorge da Fonseca Lima, representante da Regional Pernambuco da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), explicou que ainda não há uma vacina para o VSR. Ele também disse que, apesar de os adultos não apresentarem sintomas ou terem apenas sintomas leves, em crianças abaixo de 2 anos a infecção pelo vírus pode evoluir e até provocar morte.

Ainda de acordo com o pediatra, esse aumento de casos está ligado ao cuidado exacerbado que as grávidas tiveram que manter na gestação durante o isolamento causado pela pandemia ocasionada pelo Coronavírus. Com os cuidados, elas, consequentemente, tiveram menos infecções respiratórias e passaram menos anticorpos para esses recém-nascidos, que são as crianças que têm, hoje, entre 1 e 2 anos e estão adoecendo.

“Elas ficaram pouco expostas aos vírus, mas especialmente ao VSR. As mães grávidas, apesar de terem esses quadros respiratórios ao longo da vida, quando têm contato novamente com esses vírus fazem quadros assintomáticos, mas é como se relembrassem e passassem anticorpos para esses bebês", declarou.

Com a flexibilização das medidas contra a Covid-19, fim da obrigatoriedade do uso de máscaras e retomada de aulas presenciais, o médico pediatra afirmou que o vírus "voltou e encontrou as crianças sem ter tido a imunidade treinada para responder melhor a esses vírus". Apesar de o vírus já ter um histórico de maiores contaminações durante esse período (abril e maio), desta vez ele encontrou crianças com maior susceptibilidade a graves infecções. Como o período de maior pico da doença está chegando ao final (duas últimas semanas de maio), os médicos ressaltam que a expectativa é de que, a partir de junho, ocorra uma redução desses casos nas emergências.

Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science


Fontes:

  • AGUIAR, Priscilla. Entenda aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave que causa filas nas UTIs pediátricas de Pernambuco. Disponível em: <https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2022/05/26/entenda-aumento-de-casos-de-sindrome-respiratoria-aguda-grave-que-causa-filas-nas-utis-pediatricas-de-pernambuco.ghtml> Acessado em: 31/05/2022.

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