
Um estudo realizado por pesquisadores financiados pelo National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI), realizou testes com medicações utilizadas para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), os inaladores de longa duração que são utilizados para tratar sintomas respiratórios causados por tabagismo, que assemelham-se com sintomas causados pela doença de DPOC. Ainda de acordo com esses pesquisadores, cerca de 20-40% dos adultos com sintomas de DPOC, mas que não são diagnosticados com a doença usam esses tipos de inaladores.
A DPOC é uma doença pulmonar que obstrui as vias aéreas e causa tosse, chiado e falta de ar. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de 210 milhões de pessoas no mundo têm DPOC. No entanto, milhões de outras pessoas que fumam ou costumavam fumar, apresentam alguns sintomas de DPOC, cerca de um em cada quatro fumantes atuais ou ex-fumantes relataram ter falta de ar e também receberam broncodilatadores prescritos para DPOC.
Esses inaladores têm sido o principal tratamento para esses pacientes fumantes e ex-fumantes, disse MeiLan K. Han, investigadora principal e primeira autora do estudo. Porque os médicos assumem que um paciente tem DPOC ou que seus sintomas relacionados ao tabagismo podem ser ajudados pelos inaladores. Mas enquanto o tabagismo causa um grande espectro de danos pulmonares, o estudo mostrou que a terapia broncodilatadora só ajuda pacientes com danos pulmonares suficientes que resultam em leituras espirométricas anormais.
No estudo de 12 semanas, randomizado e duplo-cego, que fez parte do Redefining Therapy in Early COPD for the Pulmonary Trials Cooperative (RETHINC), os pesquisadores recrutaram 535 adultos com sintomas de DPOC, com idades entre 40 e 80 anos, em um dos 20 centros médicos dos EUA. Duas vezes por dia, os participantes do estudo usaram um inalador que continha medicação ou placebo. "Agora sabemos que esses medicamentos existentes não funcionam para esses pacientes". disse MeiLan K. Han. Os resultados do estudo foram publicados no New England Journal of Medicine.
No final dos testes, alguns dos pacientes que utilizaram medicamentos placebos obtiveram melhoras com o tratamento, os pesquisadores não encontraram diferenças significativas entre aqueles que receberam medicação ou placebo. Eles relataram que 56% (128 de 227) dos participantes que receberam a medicação viram melhorias nos sintomas respiratórios, em comparação com 59% (144 de 244) daqueles que tomaram o placebo.
Esses dados ressaltam por que não podemos continuar fazendo o que temos feito, que não é fazer espirometria e apenas tratar pacientes com os mesmos medicamentos para DPOC e esperar que veremos melhorias. Segundo os cientistas, as implicações são significativas. Primeiro, eles mostram a importância de diagnosticar doenças pulmonares por meio de espirometria, um teste de função pulmonar que Han observou ser subutilizado na prática clínica. Em segundo lugar, eles mostram a necessidade de novas terapias eficazes para pacientes sem DPOC.
Ainda de acordo com os pesquisadores, a melhor maneira para evitar tudo isso é ajudar os pacientes a parar de fumar é a principal maneira de prevenir a DPOC ou sintomas semelhantes à DPOC, observou o estudo. Mais de 30 milhões de adultos fumam, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, e muitos que não são diagnosticados com DPOC compartilham os sintomas.
Além de incentivar a cessação do tabagismo, os médicos podem ajudar os pacientes que não atendem aos critérios de função pulmonar da DPOC, trabalhando com eles para abordar quaisquer outros problemas subjacentes, como sobrepeso e obesidade, insuficiência cardíaca ou outros problemas pulmonares.
Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science
Fontes:
- MeiLan K. Han, Wen Ye, Di Wang, Emily White, Mehrdad Arjomandi, Igor Z. Barjaktarevic, Stacey-Ann Brown, Russell G. Buhr, Alejandro P. Comellas, Christopher B. Cooper, Gerard J. Criner, Mark T. Dransfield, Frank Drescher, Rodney J. Folz, Nadia N. Hansel, Robert J. Kaner, Richard E. Kanner, Jerry A. Krishnan, Stephen C. Lazarus, Veeranna Maddipati, Fernando J. Martinez, Anne Mathews, Catherine Meldrum, Charlene McEvoy, Toru Nyunoya, Linda Rogers, William W. Stringer, Christine H. Wendt, Robert A. Wise, Stephen R. Wisniewski, Frank C. Sciurba, Prescott G. Woodruff. Bronchodilators in Tobacco-Exposed Persons with Symptoms and Preserved Lung Function. New England Journal of Medicine, 2022; DOI: 10.1056/NEJMoa2204752
- NIH/National Heart, Lung and Blood Institute. (2022, September 5). Bronchodilators don't improve smoking-related respiratory symptoms in people without COPD: About 20-40% of adults with COPD symptoms but who aren't diagnosed with COPD use these types of long-lasting inhalers. ScienceDaily. Retrieved September 6, 2022. Acesso em: www.sciencedaily.com/releases/2022/09/220905085236.htm
