O medicamento que se tornou a esperança para milhares de pessoas com câncer colorretal, o medicamento aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tem previsão de comercialização no Brasil em agosto.

O estudo foi publicado no periódico New England Journal of Medicine no domingo, 5, e debatido por oncologistas durante o evento anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês), que se encerrou na terça-feira (07).

A pesquisa foi feita com 12 pessoas que tinham um tumor local, mas avançado, no reto – a parte final do intestino grosso. Todos os pacientes tinham uma alteração molecular específica, rara, que fazia com que o câncer fosse suscetível ao remédio. Para câncer no reto, o tratamento padrão é quimioterapia, radioterapia e cirurgia.

O remédio foi dado a cada 3 semanas por 6 meses. Depois do tratamento, nenhum paciente precisou de químio ou radioterapia, nem de cirurgia. Eles foram acompanhados por, no mínimo, 6 meses após o término da terapia (o tempo mais longo foi de 25 meses, pouco mais de dois anos). O tumor não voltou a aparecer em nenhum deles. Após o tratamento, exames como ressonância magnética, avaliação endoscópica, toque retal ou biópsia não apontaram evidências da presença de tumor.

"Só o remédio já eliminou a doença, sem precisar de rádio, químio e cirurgia. É fantástico, mas [o tratamento] vai ser para um grupo pequeno de pacientes, onde o tumor se desenvolveu através dessa alteração molecular", esclarece Riechelmann. A oncologista acrescenta que, embora o número de pacientes seja pequeno, o fato de a alteração ser rara faz com que o número seja suficiente para considerar o remédio efetivo. Mesmo assim, mais estudos ainda são necessários. "Quanto mais juntar, e, depois, publicar, apresentar, melhor", diz.

Nos Estados Unidos, o medicamento foi aprovado em agosto de 2021. Lá, ele pode ser usado contra qualquer tipo de tumor sólido avançado que, mesmo após tratamento inicial, continue progredindo e que não tenha outra alternativa de tratamento. Essa aprovação geral veio quatro meses depois de uma autorização inicial – que também só aprovava o uso contra um tipo de câncer de endométrio.

Por aqui, mesmo que o remédio passe a ser autorizado para uso em câncer no reto, há a dificuldade no acesso, explica Rachel Riechelmann. Isso porque a grande maioria das imunoterapias para câncer, mesmo as que já são usadas no Brasil, não estão disponíveis no SUS – a primeira delas foi aprovada só em 2020 e para melanoma, um tipo de câncer de pele. Para câncer de reto, o tratamento ainda é tradicional no sistema público (com químio, radio e cirurgia).

Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science

Fontes:

  • Exame. Esperança contra o câncer: teste com nova droga elimina tumor em 100% dos casos, 2022. Disponível em: <https://exame.com/ciencia/esperanca-contra-o-cancer-teste-com-nova-droga-elimina-tumor-em-100-dos-casos/>. Acesso em: 15 de junho de 2022.
  • Pinheiro, Lara. Câncer no reto: medicamento consegue eliminar tumor raro de 100% dos pacientes em estudo, 2022.Disponível em: <https://g1.globo.com/saude/noticia/2022/06/09/cancer-no-reto-medicamento-consegue-eliminar-tumor-raro-de-100percent-dos-pacientes-em-estudo.ghtml>. Acesso em: 15 de junho de 2022.

Inscreva-se em nossos canais do Telegram e do YouTube

Acesse nossas redes sociais Instagram e Facebook

Voltar ao blog