
A terapia com células T consiste na utilização dessas células do próprio organismo, elas são coletadas do sangue do paciente, após isso as células são geneticamente alteradas em laboratório para incluir um novo gene que contém uma proteína específica (um receptor de antígeno quimérico ou CAR), dessa forma assim que é colocada de volta no organismo, as células T são direcionadas para atingir e destruir células cancerígenas.
Alguns dias antes de receber de volta as células T modificadas (T CAR), o paciente pode receber um tratamento à base de quimioterapia para ajudar a diminuir o número de outras células do sistema imunológico, para que as células T CAR tenham mais eficácia no combate ao câncer. Quando as células T CAR começam a se ligar às células cancerígenas, elas aumentam em número e aniquilam ainda mais células cancerígenas. Esse tratamento para ajudar a diminuir o sistema imunológico do paciente acaba ocasionando efeitos colaterais tóxicos, que são bem conhecidos, incluindo náuseas, fadiga extrema e queda de cabelo.
Agora, uma equipe de pesquisa, liderada por Anusha Kalbasi, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), em colaboração com cientistas de Stanford e da Universidade da Pensilvânia, mostrou que um receptor sintético de IL-9 permite que as células T que combatem o câncer façam seu trabalho sem a necessidade de quimioterapia, ou radiação. As células T projetadas com o receptor IL-9 sintético, projetado no laboratório de Christopher Garcia (PhD em Stanford), foram potentes contra tumores em camundongos, conforme publicado na revista Nature.
"Quando as células T estão sinalizando através do receptor sintético de IL-9, elas ganham novas funções que as ajudam não apenas a superar o sistema imunológico existente, mas também a matar as células cancerígenas com mais eficiência", disse Kalbasi, pesquisador do UCLA, em entrevista a UCLA Health. "Eu tenho um paciente agora lutando com quimioterapia tóxica apenas para eliminar seu sistema imunológico existente para que a terapia com células T possa ter uma chance de luta. Mas com essa tecnologia você pode dar terapia com células T sem ter que eliminar o sistema imunológico de antemão".
"Esta descoberta abre uma porta para que possamos dar células T muito como damos uma transfusão de sangue", disse Ribas (pesquisador responsável por outras pesquisas envolvendo células T e células que as estimulam).
"Ficou claro desde o início que, entre os sinais sintéticos de cadeia gama comum, o sinal de IL-9 valia a pena investigar", disse Kalbasi, acrescentando que, ao contrário de outras citocinas de cadeia gama comum, a sinalização de IL-9 não é tipicamente ativa em células T que ocorrem. O sinal sintético de IL-9 fez com que as células T assumissem uma mistura única de qualidades de células-tronco que as tornaram mais robustas no combate a tumores. “Em um de nossos modelos de câncer, curamos mais da metade dos camundongos que foram tratados com as células T sintéticas do receptor de IL-9”.
Kalbasi disse que a terapia provou ser eficaz em vários sistemas. Eles visaram dois tipos de modelos de câncer difíceis de tratar em camundongos - câncer de pâncreas e melanoma - e usaram células T direcionadas a células cancerígenas por meio do receptor de células T natural ou de um receptor de antígeno quimérico (CAR). "A terapia também funcionou se demos a citocina para todo o camundongo ou diretamente para o tumor. Em todos os casos, as células T projetadas com a sinalização sintética do receptor de IL-9 foram superiores e nos ajudaram a curar alguns tumores em camundongos quando não podíamos fazer isso, caso contrário".
Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science
Fontes:
- Anusha Kalbasi, Mikko Siurala, Leon L. Su, Mito Tariveranmoshabad, Lora K. Picton, Pranali Ravikumar, Peng Li, Jian-Xin Lin, Helena Escuin-Ordinas, Tong Da, Sarah V. Kremer, Amy L. Sun, Sofia Castelli, Sangya Agarwal, John Scholler, Decheng Song, Philipp C. Rommel, Enrico Radaelli, Regina M. Young, Warren J. Leonard, Antoni Ribas, Carl H. June, K. Christopher Garcia. Potentiating adoptive cell therapy using synthetic IL-9 receptors. Nature, 2022; DOI: 10.1038/s41586-022-04801-2
