
A chikungunya é uma arbovirose (doença viral), desencadeada por um vírus de RNA da família Togaviridae e gênero Alphavirus, conhecido como vírus Chikungunya (CHIKV). Ela é transmitida pela picada de fêmeas infectadas do gênero Aedes e, após a primeira contaminação pelo CHIKV, o paciente adquire imunidade pelo resto de sua vida. A palavra Chikungunya significa "aqueles que se dobram" em swahili, que é um dos idiomas da Tanzânia (local da primeira epidemia documentada entre os anos de 1952 e 1953), fazendo referência à aparência curvada de pacientes.
O vírus CHIKV é adquirido pelo mosquito ao picar uma pessoa infectada, durante o período em que o vírus pode estar presente em um organismo infectado, sendo que o vírus pode permanecer um período de 4 a 7 dias em incubação dentro do organismo, e a doença, na maioria dos casos, é auto-limitante. A mortalidade em menores de um ano é de 0,4%, podendo ser mais elevada em indivíduos com patologias associadas. Ainda não há comprovação de que o vírus possa ser transmitido de pessoa para pessoa, mas não descarta-se a possibilidade de uma transmissão in utero da mãe para o feto.
O vírus CHIKV foi introduzido no continente americano em 2013 e ocasionou uma onda epidêmica em diversos países da América Central e ilhas do Caribe. No segundo semestre de 2014, o Brasil confirmou a presença da doença nos estados do Amapá e Bahia através de métodos laboratoriais.
Entre os principais sintomas da doenças estão a febre alta, dores intensas nas articulações, dor de cabeça, dores musculares e manchas vermelhas na pele. Segundo o ministério da Saúde, a chikungunya pode evoluir em três fases, que são: Febril ou aguda, com duração de 5 a 14 dias; Pós-aguda, com um curso de até 3 meses; e a fase crônica, a qual ocorre quando os sintomas persistem por mais de 3 meses após o início da doença. Em mais de 50% dos casos, a artralgia – que são dores nas articulações – torna-se crônica, podendo persistir por anos.
Sintomas como náuseas e vômitos, dor retro-ocular, dor de garganta, calafrios e diarréia e/ou dor abdominal também podem ser apresentados, sendo que as manifestações do trato gastrointestinal são mais comuns em crianças. Infelizmente ainda não há um tratamento antiviral específico para a chikungunya, sendo ela tratada de acordo com os sintomas apresentados pelo indivíduo infectado, que em geral é feito com analgésicos, além da hidratação oral dos pacientes. Em casos de sequelas mais graves, e sob avaliação médica conforme cada caso, pode ser recomendada a fisioterapia. Cerca de 30% dos casos não apresentam sintomas. Apesar de ser menos letal que a dengue, a chikungunya também pode levar à morte. Até novembro de 2021, o país registrou 14 óbitos pela doença. Outros 26 estão sendo investigados, informou o Ministério da Saúde.
Quando há suspeita é fundamental a procura por um profissional da saúde para que seja feio o diagnóstico correto, e desta forma sejam indicados os medicamentos corretos, evitando uma automedicação (que pode ocasionar em intoxicação e resistência aos remédios, ou até em efeitos mais graves), uma vez que todos os tratamentos são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
No final de 2021 houve um aumento dos casos de chikungunya, sendo que em números absolutos os estados com os maiores registros de casos da doença tinha sido Pernambuco: 31.632 casos; São Paulo: 18.378; Bahia: 13.899 casos; Paraíba: 10.084 casos e Minas Gerais: 5.642 casos. Como no início do ano de 2022 aconteceram muitas chuvas em todo o país, é possível que esses índices possam aumentar.
Apesar de já ocorrerem testes para a criação de uma vacina para prevenção da chikungunya, ela ainda não existe. Sendo assim, o que pode ser feito para prevenir a doença é evitar áreas onde sabidamente o mosquito é encontrado e controlar a proliferação desses vetores. Além de evitar essa patologia, ajudamos a diminuir os casos de dengue e zika no Brasil.
Texto por Dalcio Neto | Ipedss Science
Fontes:
- BRASIL. Chikungunya, Ministério da Saúde 2020. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/chikungunya>. Acesso em: 22 de Março de 2022.
- BRASIL DE FATO. Explosão nos casos de chikungunya acende alerta no Brasil; Saúde aponta 14 mortes da doença, 2022. Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2022/01/03/explosao-nos-casos-de-chikungunya-acende-alerta-no-brasil-saude-aponta-14-mortes-da-doenca.>. Acesso em: 22 de Março de 2022.
- ALPACA, Nathalie Hanna. Casos de chikungunya aumentam mais de 30% entre 2020 e 2021. CNN Brasil, 2022. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/saude/casos-de-chikungunya-aumentam-mais-de-30-entre-2020-e-2021/>. Acesso em: 22 de Março de 2022.
- FIOCRUZ. Chikungunya: sintomas, transmissão e prevenção, 2022. Disponível em: <https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/chikungunya-sintomas-transmissao-e-prevencao>. Acesso em: 22 de Março de 2022.
.
