
Na última sexta-feira (04/02) o Brasil registrou os primeiros casos de uma subvariante (pequenas mutações em uma variante, os tipos intermediários entre variantes) derivada da Ômicron, o Ministério da Saúde (MS) confirmou três casos de infecção pela linhagem BA.2 no Brasil, dois em São Paulo e um no Rio de Janeiro. Não há informações detalhadas sobre essas pessoas e por onde passaram.
A variante Ômicron altamente transmissível agora é responsável por metade das infecções por covid-19 no mundo. Mas a ômicron é um termo abrangente para várias linhagens intimamente relacionadas ao SARS-Cov-2, sendo a mais comum a linhagem BA.1. A BA.2 às vezes é chamada de subvariante "furtiva", porque não possui o marcador genético que os pesquisadores estavam usando para identificar rapidamente se uma infecção era um caso de ômicron "regular" (BA.1 ) ou de delta.
Assim como acontece com outras variantes, a infecção causada pela BA.2 é passível de detecção através de testes PCR e antígeno, porém neles só a indicação de presença ou ausência da infecção viral, para estabelecer qual a variante responsável se faz necessária a realização testes mais específicos (marcadores moleculares). A BA.2 parece ser mais transmissível do que as variantes anteriores, mas, felizmente, nenhum dado até o momento sugere que seja mais grave.
À medida que os vírus se transformam em novas variantes, às vezes eles se dividem ou se ramificam em sub-linhagens. A variante delta, por exemplo, é composta por 200 subvariantes diferentes. O mesmo movimento ocorreu com a ômicron, que inclui as linhagens BA.1, BA.2, BA.3 e B.1.1.529. A BA.1 responde pela maioria dos casos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 99% do DNA viral submetido ao banco de dados global GISAID (em 25 de janeiro de 2022) foi sequenciado como essa subvariante.
Desde novembro de 2021, 40 países adicionaram milhares de sequências BA.2 aos seus bancos de dados. Segundo a OMS, a subvariante já está se tornando dominante nas Filipinas, Nepal, Catar, Índia e Dinamarca. Em alguns lugares, seu crescimento foi acentuado. E de acordo com o Instituto Estatal Serum da Dinamarca, cerca de metade dos novos casos de covid-19 do país é causada por BA.2.
E, na Inglaterra, mais de mil casos confirmados de BA.2 foram identificados, conforme a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKNSA, na sigla em inglês). Ela foi designada como uma "variante sob investigação" pelas autoridades de saúde britânicas, o que significa que eles a estão acompanhando de perto, mas neste momento não estão muito preocupados com ela. As infecções por BA.2 na Alemanha também estão crescendo mais rápido do que a BA.1 e a delta, de acordo com Meera Chand, diretora de covid-19 da UKHSA.
Até o momento não existem dados que indiquem que essa subvariante pode levar a uma doença mais grave do que as subvariantes anteriores da ômicron. "Observando outros países onde a BA.2 está agora ultrapassando a (BA.1), não estamos vendo nenhum aumento maior na hospitalização do que o esperado", disse Boris Pavlin, da Equipe de Resposta à COVID-19 da OMS, na terça-feira (2/2). Pavlin acrescentou que, mesmo que a BA.2 substitua a BA.1, isso pode ter pouco efeito na trajetória da pandemia e na forma de tratar as pessoas.
"É improvável que seu impacto seja substancial, embora sejam necessários mais dados", disse ele. Assim como nas variantes anteriores, os especialistas acreditam que as vacinas continuarão sendo altamente eficazes contra doenças graves, hospitalização e morte. "A vacinação oferece profunda proteção contra casos graves, inclusive para a ômicron", disse Pavlin. Chand, do Reino Unido, acrescentou: "Até agora, não há evidências suficientes para determinar se a BA.2 causa uma doença mais grave do que a BA.1, mas os dados são limitados e a UKHSA continua investigando". "Devemos permanecer vigilantes e tomar as vacinas. Todos devemos continuar a nos testar se sintomas aparecerem".
Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science
FONTE:
- Covid: o que é a subvariante BA.2 da ômicron, agora com casos confirmados no Brasil. BBC News Brasil, 2022. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60229448> Acessado em: 07/02/2022
