
Na última semana uma manchete que trouxe muita felicidade estampou os jornais brasileiros, a descoberta de uma nova medicação para a dengue que pode proteger contra os casos graves da doença. A medicação se chama Anexina A, e trata-se de uma proteína que é produzida naturalmente pelo nosso organismo.
A pesquisa foi desenvolvida por uma equipe de cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais, a equipe comparou o sangue de pessoas infectadas pelo vírus com o de não infectados e constatou que quem tem a proteína anexina está mais protegido contra a doença, a anexina é uma das proteínas que o corpo produz e que foi a chave para uma descoberta: quem tem mais dela no corpo, está mais protegido contra a dengue. A anexina A1 funciona como uma espécie de freio ou proteção contra o vírus, reduzindo a inflamação que a dengue provoca no organismo.
Após a descoberta de que quanto menor a quantidade da proteína no organismo, maiores são as chances de complicações ao contrair dengue, os pesquisadores começaram a testar a eficácia da proteína como uma medicação. “A nossa ideia é, será que a gente consegue modular, fazer com que o corpo produza mais dessa molécula no momento necessário para combater a infecção na hora certa? ”, diz Vivian Costa, pesquisadora da UFMG.
Os testes foram realizados com dois tipos de camundongos - um grupo comum e outro modificado geneticamente, sem a proteína-freio da dengue. Os que tinham anexina reagiram bem melhor à doença. Depois os pesquisadores usaram essa mesma proteína como um tratamento. Injetaram uma pequena porção da molécula nos camundongos doentes, e os animais desenvolveram uma forma menos grave da dengue.
Com essa nova descoberta inicia-se agora a fase de produção da medicação, a expectativa é que o anti-inflamatório deixe a doença mais branda: aliviando o sofrimento de pacientes infectados e reduzindo risco de internação e de morte. O próximo passo é o teste em humanos. “A ideia, com esse tipo de medicamento, é impedir que essa pessoa se interne, se ela se interna que ela tenha um curso melhor da doença. E aquelas muito graves que a gravidade diminua e ela tenha um menor tempo de estadia hospitalar”, explica Mauro Teixeira, professor-coordenador da pesquisa.
Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science
Fonte:
- Descoberta de pesquisadores da UFMG pode ajudar no tratamento de casos graves da dengue. Jornal Hoje, 2022. Disponível em: <https://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2022/04/07/descoberta-de-pesquisadores-da-ufmg-pode-ajudar-no-tratamento-de-casos-graves-da-dengue.ghtml> Acessado em: 12/04/2022.
