
Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e das universidades federais de Lavras (UFLA), Ouro Preto (UFOP) e Viçosa (UFV), apontou que a qualidade de vida dos brasileiros piorou durante a pandemia de Covid-19, especialmente após os cinco meses do início das medidas de isolamento social. O estudo avaliou as mudanças nos hábitos diários, nas escolhas alimentares e no estilo de vida de brasileiros adultos antes e durante a pandemia de COVID-19.
A pesquisa avaliou os hábitos adotados por 1.368 pessoas, de ambos os sexos, com idade igual ou maior que 18 anos, através de questionário on-line durante os meses de agosto e setembro de 2020. Participaram pessoas das cinco regiões do Brasil, no entanto, a maioria foram oriundos da região Sudeste (89,6%), sendo que 80% dos pesquisados foram mulheres. Segundo o estudo, 97% dos pesquisados estavam cumprindo total ou parcialmente as medidas de isolamento.
Os pesquisadores puderam verificar mudanças nos hábitos alimentares com menor frequência de adesão ao café da manhã, ao lanche da manhã e ao almoço e maior frequência de lanches noturnos e outras refeições além das tradicionais. Através da pesquisa pode-se perceber adoção de alimentação de pior qualidade, como por exemplo, o aumento no consumo de pães e farináceos, refeições instantâneas e fast food. O estudo também constatou o aumento do consumo de bebida alcoólica e do hábito de fumar, nas horas de sono e no tempo de utilização de telas e dispositivos, além da redução do consumo de frutas e vegetais e da prática de atividade física.
Tamires Souza, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciência de Alimentos da UFMG e uma das participantes do estudo, afirmou em comunicado publicado pela UFMG que: “Em resumo, foi possível perceber uma piora nos hábitos e estilo de vida, maior tempo de tela, sedentarismo e hábitos nocivos como tabagismo e consumo frequente de bebida alcoólica, e nos hábitos alimentares, com menor consumo de alimentos in natura e maior consumo de processados e ultraprocessados".
Segundo ela, os voluntários reportaram praticar em torno de 120 minutos por semana de atividade no período pré-pandemia, índice que caiu para 80 minutos por semana durante as medidas de distanciamento. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a prática entre 150 e 300 minutos de exercícios por semana.
Souza enfatizou também o aumento da exposição a telas e dispositivos: “Quanto ao tempo de tela, antes da pandemia, os participantes relataram média diária de 6,5 horas de exposição. Durante a pandemia, esse número subiu para 10 horas por dia”.
Texto por Dalcio Neto | Ipedss Science
Fontes:
- Pubmed
