Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Weill Cornell Medicine and Hospital for Special Surgery (HSS) conseguiu identificar novas maneiras do organismo conseguir induzir as células imunológicas do corpo. O trabalho fez parte dos esforços contínuos dos cientistas para entender sobre a doença autoimune que causa inflamação e endurecimento da pele, conhecida como Esclerodermia. "Tínhamos um projeto analisando a esclerodermia e foi demonstrado por nós e outros pesquisadores há alguns anos que os pacientes com essa condição têm um nível elevado da quimiocina CXCL4 no sangue", disse o autor principal do trabalho Dr. Franck Barrat. "Mas o papel dessa quimiocina na doença não é claro e não esperávamos que a quimiocina provocasse essa resposta imune específica".

Esse estudo foi publicado no Journal of Experimental Medicine, e mostra que a CXCL4 e muitas outras quimiocinas podem induzir células dendríticas plasmocitóides (pDCs) imunes a produzir interferon-alfa. O que mais surpreendeu os pesquisadores foi a forma como essa indução apareceu, de forma independente de receptores de quimiocinas conhecidas, o que mostra que as células imunes eram ativadas de formas previamente desconhecidas.

Para tentar entender melhor como funciona essa indução, os pesquisadores realizaram outros testes e em um deles puderam descobrir que as quimiocinas podem ligar pedaços de DNA para formar nanopartículas, que então contornam os receptores de quimiocinas das células para induzir diretamente a produção de interferon (glicoproteínas secretadas pelas células do sistema imunológico com o objetivo de combater elementos estranhos ao organismo, incluindo parasitas e vírus).

Os testes realizados em inflamações de pele nos camundongos sugerem que esse mecanismo pode explicar a ativação imune crônica subjacente à esclerodermia e outras doenças autoimunes. Esses resultados também sugerem que diferentes nanopartículas de quimiocinas de DNA podem estar subjacentes a diferentes doenças. Por exemplo, enquanto CXCL4 parece ser importante na esclerodermia, outra quimiocina, CXCL10, pode desempenhar uma função semelhante no lúpus.

O Dr. Barrat acredita que as nanopartículas de quimiocinas de DNA são provavelmente um componente essencial do sistema de cicatrização de feridas do corpo, “após uma lesão na pele, como se você se cortasse, as células dendríticas se infiltram na pele e criam um ambiente inflamatório para permitir o fechamento adequado da ferida. Nossas descobertas sugerem que essas células não precisam ver um patógeno - um vírus ou bactéria - que elas podem simplesmente se regenerar com o auto-DNA", disse ele. "E essa inflamação está ajudando a recrutar outras células do sistema imunológico", afirmou. Na doença autoimune, o processo dá errado, produzindo um estado inflamatório crônico que acaba danificando o tecido em vez de curá-lo.

Esses mesmos pesquisadores também colaboraram em um estudo que foi publicado na revista Nature Communications, que mostrou outra quimiocina capaz de induzir uma resposta semelhante à encontrada neste novo trabalho, onde houve uma resposta inflamatória semelhante em monócitos, outra classe importante de células imunes. Em conjunto, os resultados apontam para possíveis estratégias para tratamento de doenças autoimunes sem interferir nas respostas imunológicas normais do organismo.

Texto por Paula Eduarda Rocha| Ipedss Science

Fontes:

  • Yong Du , Marie Dominique Ah Kioon , Paoline Laurent , Vidyanath Chaudhary , Michael Pierides , Chao Yang , David Oliver , Lionel B. Ivashkiv , Franck J. Barrat. Chemokines form nanoparticles with DNA and can superinduce TLR-driven immune inflammation. JEM, 2022 DOI: 10.1084/jem.20212142. Disponível em: <https://www.sciencedaily.com/releases/2022/07/220715142138.htm> Acessado em: 18/07/2022.

Inscreva-se em nossos canais do Telegram e do YouTube

Acesse nossas redes sociais Instagram e Facebook

Voltar ao blog