
A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença que ainda não tem cura, de acordo com o Ministério da Saúde ela é uma das doenças mais comuns do sistema nervoso central, afetando o cérebro e a medula espinhal. E atualmente atinge cerca de 2,8 milhões de pessoas em todo o mundo. Estima-se que no Brasil, cerca de 40 mil pessoas vivem com a doença.
O que se sabe sobre a doença é que a mesma é um transtorno neurológico, crônico e autoimune, ou seja, as células de defesa do organismo atacam o próprio sistema nervoso central, provocando danos à mielina, material gorduroso que isola os nervos, afetando a maneira como os impulsos elétricos são enviados para o cérebro. A maioria das pessoas com EM é diagnosticada entre as idades de 20 e 40 anos, com ocorrência duas a três vezes maior em mulheres do que em homens.
Em um recente estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Harvard, e publicado na Revista Science apontou um vírus que pode ser o possível causador da doença, o vírus Epstein-Barr (EBV), que é da mesma família da herpes. “A hipótese de que o EBV causa EM foi investigada por nosso grupo e outros por vários anos, mas este é o primeiro estudo que fornece evidências convincentes de causalidade”, disse Alberto Ascherio , professor de epidemiologia e nutrição da Harvard Chan School e autor sênior da pesquisa, em comunicado. “Este é um grande passo porque sugere que a maioria dos casos de esclerose múltipla pode ser evitada interrompendo a infecção pelo EBV, e que direcionar o EBV pode levar à descoberta de uma cura para a esclerose múltipla”.
Os pesquisadores resolveram investigar o assunto ao estudarem mais de 10 milhões de jovens adultos inseridos nas forças armadas dos Estados Unidos. Desse total, 955 foram diagnosticados com esclerose múltipla durante o serviço militar. A equipe analisou amostras de soro coletadas a cada dois anos pelos militares e determinou o status de EBV dos soldados no momento da primeira amostra e a relação entre a infecção por EBV e o início da EM durante o período de serviço ativo. Nesta coorte, o risco de EM aumentou 32 vezes após a infecção pelo EBV, mas permaneceu inalterado após a infecção por outros vírus. Os níveis séricos da cadeia leve do neurofilamento, um biomarcador da degeneração nervosa típica da EM, aumentaram apenas após a infecção pelo EBV. Os achados não podem ser explicados por nenhum fator de risco conhecido para EM e sugerem o EBV como a principal causa de EM.
Ascherio diz que o atraso entre a infecção pelo EBV e o início da EM pode ser parcialmente devido aos sintomas da doença não serem detectados durante os estágios iniciais e parcialmente devido à relação evolutiva entre o EBV e o sistema imunológico do hospedeiro, que é repetidamente estimulado sempre que o vírus latente é reativado. “Atualmente, não há como prevenir ou tratar efetivamente a infecção pelo EBV, mas uma vacina contra o EBV ou direcionar o vírus com medicamentos antivirais específicos para o EBV poderia prevenir ou curar a EM”, disse Ascherio.
Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science
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