
A produção do Praziquantel pediátrico, que é indicada para o tratamento da esquistossomose, está próxima de ser iniciada pelo o Instituto de Tecnologia em Fármacos, Farmanguinhos/Fiocruz. O medicamento é fruto do Consórcio Internacional Praziquantel Pediátrico e encontra-se na última fase de testes clínicos. O comprimido será dispersível em água, o que facilitará a sua administração em crianças com idades menores que seis anos. Atualmente, o medicamento disponível para o tratamento de esquistossomose não possui uma versão adequada para essa faixa etária, o que dificulta o tratamento.
A doença que popularmente conhecida como barriga-d'água é causada pelo parasita Schistosoma mansoni. Quando o indivíduo infectado elimina os ovos do parasita por meio das fezes, eles eclodem e liberam larvas que infectam os caramujos, que são hospedeiros intermediários que vivem nas águas doces.
Ao adentrar o organismo, o parasita se instala nos vasos sanguíneos do intestino, do sistema urinário e do fígado, onde passa a se reproduzir. Dentre os sintomas da doença estão o raquitismo, a deficiência na capacidade de aprendizado, inflamação crônica nos órgãos e anemia. A doença parasitária afeta cerca de 200 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo que a metade são crianças.
Daniel Lacerda, que é gerente do projeto na unidade, diz que o processo de desenvolvimento do Praziquantel pediátrico está em fase final. Segundo ele, “os estudos clínicos de fase III, que estavam sendo realizados no Quênia e na Costa do Marfim, finalizaram a etapa de recrutamento e administração do produto nos pacientes. Agora, entrou na etapa de conciliação e análise final de todos os resultados para fazermos o fechamento do relatório, previsto para o início do próximo ano. Uma análise preliminar demonstrou bons resultados, mas temos que aguardar o relatório final para confirmação e divulgação completa”.
A Farmanguinos/Fiocruz está na fase de finalização dos requisitos e de documentação de qualidade necessária para a fabricação dos lotes de validação do produto. Esses documentos são imprescindíveis para compor o dossiê que será submetido à Agência Regulatória Europeia (EMA) e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para obter o registro do medicamento e a pré-qualificação junto à Organização Mundial da Saúde (OMS).
A previsão é de que os lotes-piloto sejam produzidos em março de 2022 e o produto seja disponibilizado em 2024.
Texto por Dalcio Neto | Ipedss Science
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