
A imagem fotoacústica surge como uma alternativa não-invasiva aos métodos convencionais de diagnósticos ou acompanhamento de tratamentos dos pacientes oncológicos. Esse método é de tipo híbrido que combina laser e ultrassom para visualizar o interior do corpo, sendo que na maioria de suas aplicações não se faz necessário o contraste e o uso de radiação ionizante, os quais podem causar efeitos adversos à saúde de pacientes.
A imagem fotoacústica é baseada em ondas acústicas produzidas em resposta a absorção de pulsos de luz pelos tecidos, e apresenta qualidade análoga àquelas produzidas pela ressonância magnética e por tomografia computadorizada. Um pesquisador brasileiro, Diego Ronaldo Thomaz Sampaio, esteve envolvido em pesquisas que buscaram estudar diferentes aplicações deste método. Uma delas teve como objetivo avaliar o nível de saturação de oxigênio no sangue, visando o aprimoramento da medição para futuro uso em atendimentos e triagens. Por meio desse estudo foi possível aperfeiçoar a imagem fotoacústica e reduzir a taxa de erro de aproximadamente 10% para 3%, uma diferença relevante segundo Sampaio.
Ao ser utilizada em estudos oncológicos in vivo, a técnica possibilitou a identificação de regiões mais afetadas pelo câncer, isso porque o tecido tumoral apresenta carência de oxigênio (hipóxia) que pode ser avaliada na imagem fotoacústica. Em um outro estudo em que Sampaio também esteve envolvido, os pesquisadores buscaram medir a saturação de oxigênio na medula óssea de roedores com leucemia. Mesmo sem utilizar contraste, a imagem teve boa qualidade, sendo possível observar a evolução da hipóxia na medula com o avanço da doença.
“Dessa forma, o acompanhamento da leucemia foi realizado por meio de imagens fotoacústicas obtidas ao longo da progressão da doença”, explicou Sampaio ao Jornal da USP. “Por ser uma técnica livre de radiação ionizante e, em alguns casos, de agentes de contraste, a imagem fotoacústica desponta como uma boa alternativa aos exames de imagens que não apresentam portabilidade ou que podem causar prejuízos a longo prazo”, acrescentou o pesquisador.
Além de reduzir os efeitos adversos em pacientes, a tecnologia é uma opção de menor custo se comparada a ressonância magnética, por exemplo. Outra vantagem da fotoacústica é o fato de ser uma técnica portátil, que assim como a ultrassonografia, não requer de grandes equipamentos de proteção e de suporte de insumos caros. Apesar dessas vantagens, a fotoacústica ainda não é uma técnica amplamente usada na rotina clínica, principalmente no Brasil, onde não há perspectivas imediatas de uso. Alguns países da Europa, América do Norte e da Ásia já fazem uso da técnica.
Texto por Dalcio Neto | Ipedss Science
Fonte:
- TEIXEIRA, Gabriel Gama. Imagem fotoacústica pode transformar exames oncológicos com procedimento não-invasivo. Jornal da USP, 2022. Disponível em: <https://jornal.usp.br/ciencias/imagem-fotoacustica-pode-transformar-exames-oncologicos-com-procedimento-nao-invasivo/> Acessado em: 03/05/2022
