
Por ser um esporte de bastante contato, o futebol expõem seus atletas a situações com potenciais riscos à saúde. O cabeceio, por exemplo, é uma das grandes preocupações das organizações desse esporte e bastante discutido nos veículos esportivos. Durante os primeiros jogos da Copa do Mundo 2022, em andamento no Qatar, dois atletas das seleções iraniana e saudita sofreram fortes impactos na cabeça em disputa pela bola, sendo que um deles chegou a ficar inconsciente por instantes.
Estudos comprovam que o ato de cabecear uma bola é capaz de causar alterações no cérebro, semelhantes aquelas observadas em pessoas com concussão (lesão no cérebro que perturba seu funcionamento normal de forma temporária ou permanente). A concussão é diagnosticada através de sintomas como a confusão, desorientação, amnésia, tontura e dor de cabeça, em decorrência de uma colisão.
As repetidas cabeçadas em treinamentos e jogos, assim como também as colisões entre jogadores, com a trave e o chão, ampliam a possibilidade dos mesmos apresentarem sintomas parecidos com a concussão. O impacto do cabeceio é associado a problemas na função cognitiva (memória, atenção e velocidade de raciocínio) em jogadores jovens, profissionais e até amadores. Em boa parte dos casos de concussão a recuperação é rápida, mas a repetição desses choques podem resultar em sintomas persistentes, problemas neurológicos mais graves e demência.
Diante disso, algumas entidades futebolísticas têm procurado soluções para reduzir esses riscos entre os atletas. A International Football Association Board, entidade responsável pelo estabelecimento das regras vigentes do futebol, proibiu o cabeceio em torneios de base até a categoria sub-12. Já na Escócia, jogadores que atuam profissionalmente não poderão mais cabecear a bola no dia anterior e no dia seguinte a partidas. Os times também deverão limitar a quantidade de treinos que envolvem o cabeceio para apenas um.
A medida adotada pela associação escocesa de futebol é baseada em resultados de um estudo conduzido pela Universidade de Glasgow, que apontou chances 3,5 vezes maiores de atletas desenvolverem demência, 5 vezes maiores de morte pelo mal de Alzheimer e 4 vezes maiores de morrer por esclerose lateral amiotrófica, em comparação a não praticantes. Ao que tudo indica, o assunto deverá ainda ser muito difundido entre as entidades e federações de futebol, com possibilidades de adoção de novas medidas nas diferentes ligas.
Texto por Dalcio Neto
Fontes:
- COSTA, Augusto Dala. Na Escócia, jogadores de futebol não podem mais cabecear antes e depois de jogos. Canaltech, 2022. Disponível em: Link. Acesso em: 01/12/2022.
- Entidade que estabelece regras do futebol proíbe cabeceio em torneios de base até categoria sub-12. ESPN, 2022. Disponível em: Link. Acesso em: 01/12/2022.
- FREITAS, Pedro. Copa do Mundo: como o cabeceio pode ser perigoso no futebol? Mega Curioso, 2022. Disponível em: Link. Acesso em: 01/12/2022.
- Scottish footballers to be banned from heading ball before and after matches. The Guardian, 2022. Disponível em: Link. Acesso em: 01/12/2022.
