No dia 7 de janeiro aconteceu um marco para a medicina mundial, aconteceu o primeiro transplante de um coração geneticamente modificado de um porco em um humano. Os cientistas tiveram de fazer alterações genéticas no órgão, adicionando e removendo proteínas para evitar a rejeição pelo corpo do paciente. Além disso, o cardiologista afirmou que outro risco era que viroses animais fossem transmitidas para humanos.

O diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Fernando Bacal, afirmou, em entrevista à CNN nesta terça-feira (11), que o transplante de coração de porco em um homem nos Estados Unidos é um “marco na medicina”.

Bacal explicou que esse tipo de operação tem sido estudado desde a década de 1980 e que muitos obstáculos foram vencidos para o sucesso da cirurgia. As primeiras pesquisas se concentraram na extração de órgãos de primatas. Por exemplo, um coração de babuíno foi transplantado em um recém-nascido conhecido como "Baby Fae" em 1984, mas este sobreviveu por apenas 20 dias.

Hoje, as válvulas cardíacas de porco são amplamente utilizadas em humanos, e a pele de porco é enxertada em pessoas que sofreram queimaduras. Os porcos são doadores ideais devido ao seu tamanho, crescimento rápido, ninhadas grandes e ao fato de estarem prontamente disponíveis, sendo criados para alimentação.

Por fim, o especialista afirmou que, com base em dados da Sociedade Brasileira de Medicina, o Brasil precisaria realizar 1.200 transplantes de coração por ano, mas que este número está em 400 por ano. Além disso, segundo o cardiologista, essa cirurgia é uma possibilidade de evitar a escassez de todos os tipos de órgãos para transplante. “Ainda temos outras etapas, mas é um avanço que cria expectativa muito grande para que a gente mude a história do transplante e que os pacientes sejam transplantados com mais rapidez e agilidade, diminuindo o sofrimento de uma doença incapacitante”, pontuou Bacal.

O paciente que recebeu o coração transplantado chama-se David Bennett, de 57 anos, passa bem, segundo os médicos, três dias após o procedimento experimental de sete horas em Baltimore. O transplante foi considerado a última esperança de salvar a vida de Bennett, pois o mesmo era considerado inelegível para um transplante humano (decisão que costuma ser tomada quando o paciente está com a saúde muito debilitada),"Era morrer ou fazer esse transplante", explicou Bennett um dia antes da cirurgia. "Eu sei que é um tiro no escuro, mas é minha última escolha”. Embora ainda não esteja claro quais são suas chances de sobrevivência a longo prazo. Para a equipe médica que realizou o transplante, o procedimento inédito é o ápice de anos de pesquisa e poderá mudar vidas em todo o mundo, pois desta maneira há a possibilidade de resolver crise de escassez de órgãos, a possibilidade de usar órgãos de animais para o chamado xenotransplante (transplante de células, tecidos ou órgãos de uma espécie para outra), e dessa maneira há a possibilidade de atender essa demanda.

Em outubro de 2021, cirurgiões em Nova York anunciaram que haviam transplantado com sucesso um rim de porco em uma pessoa. Na época, a operação era o experimento mais avançado feito até então. No entanto, o destinatário naquela ocasião estava com morte cerebral e sem esperança de recuperação.

Bennett espera que seu transplante permita que ele continue vivendo. Ele ficou de cama por seis semanas antes da cirurgia e ligado a uma máquina que o manteve vivo depois que ele foi diagnosticado com doença cardíaca terminal. David Bennett Jr, filho do paciente, disse à Associated Press que a família está em "território desconhecido neste momento". Mas acrescentou: "Ele percebe a magnitude do que foi feito e realmente percebe a importância disso". "Nós nunca havíamos feito isso em um humano e eu gosto de pensar que nós demos a ele uma opção melhor do que continuar sua terapia", disse o cirurgião Bartley Griffith. "Mas se [ele viverá] um dia, semana, mês, ano, eu não sei dizer".

Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science

Fontes:

Inscreva-se em nossos canais do Telegram e do YouTube

Acesse nossas redes sociais Instagram e Facebook

Voltar ao blog