O câncer de mama apesar de acometer ambos os sexos, é um dos tumores com maior incidência entre mulheres no mundo inteiro. No Brasil, as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que cerca de 66.280 pessoas devem ser diagnosticadas anualmente com câncer de mama. No que se refere ao número de mortes pela doença, o levantamento do Inca mostrou que 18.032 morrem anualmente no país em decorrência do tumor.

Um experimento realizado em camundongos trouxe esperanças para o tratamento do câncer de mama em seu estágio inicial, também conhecido como carcinoma ductal in situ (DCIS), na qual o tumor é caracterizado pela presença de células pré-cancerosas anormais dentro dos ductos de leite na mama.

Nesta fase da doença, as células cancerosas estão somente na camada da qual elas se desenvolveram e ainda não se espalharam para outras camadas do órgão de origem, mas mesmo assim, em vários casos, os pacientes acometidos acabam fazendo tratamentos de radiação para esses cânceres muito precoces e até mesmo são submetidos a cirurgia de remoção de mama.

A ideia dos cientistas era desenvolver algo que pudesse eliminar essas células anormais dos ductos de leite da mama, da forma menos invasiva possível, buscando evitar tratamentos como mastectomia (retirada da mama). Com isso, a equipe de pesquisa propôs um tipo de terapia que consiste na aplicação de uma injeção com a droga imunotoxina pelo duto mamário, que poderia resultar na limpeza do DCIS. Segundo Saraswati Sukumar, que é professor de oncologia e patologia da Universidade de Johns Hopkins e um dos autores da pesquisa, para a surpresa dele e de todos os envolvidos, as drogas eliminaram todas as lesões presentes no ducto mamário. “Eu nunca tinha visto resultados tão expressivos em minha vida”, afirmou Sukumar, professor de oncologia e patologia da Universidade de Johns Hopkins em entrevista.

Para chegar ao tratamento ideal, os pesquisadores utilizaram diferentes tipos de dosagens em diferentes grupos, em sua maioria após o tratamento intraductal completo não houve incidência de tumor, os efeitos mais fracos da injeção foram observados no grupo que recebeu a dose mais baixa, tratamento foi bem tolerado, sem efeitos colaterais da toxina ou injeção.

Apesar de ser ainda um tratamento em fase de pesquisa pré-clínica, ou seja, ainda não foi testado em humanos, o estudo mostra-se muito promissor. Os especialistas do Inca explicaram que, caso a pesquisa avance, o tratamento pode se mostrar útil para outros tipos de tumores. Contudo, apontam que os ensaios podem apresentar outros resultados quando mudarem de fase.

Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science

Fonte:

  • Oliveira, Ingrid. Injeção contra o câncer de mama inicial tem bons resultados em testes em animais. CNN, 2022. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/saude/injecao-contra-o-cancer-de-mama-inicial-tem-bons-resultados-em-testes-em-animais/ >. Acesso em 05 de julho de 2022.

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