
O câncer de mama é considerado um problema mundial de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo que em 2018 cerca de 627 mil mulheres em todo o mundo morreram em virtude da doença. No mesmo ano, o Brasil foi o quarto país em número de casos e o quinto em mortalidade. Segundo dados do Ministério da Saúde, o número total de novos casos ao ano chega a 60 mil.
No início desta semana foi publicada no Diário Oficial da União, uma portaria que incorpora o medicamento trastuzumabe entansina (TDMI-1) ao Sistema Único de Saúde (SUS). O TDMI-1 é usado para o tratamento do câncer de mama no país desde 2014, período em que recebeu a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Ele não causa efeitos colaterais como a queda de cabelo, mas requer cuidados de equipe médica, pois pode ocasionar a diminuição das plaquetas, anemia, distúrbios no funcionamento do fígado e neuropatia (danos aos nervos). Em determinadas situações também é preciso controlar a pressão arterial.
O TDMI-1 é indicado para os casos avançados do tipo de câncer denominado HER2-positivo, no qual as células cancerígenas apresentam altos níveis da proteína HER2 e tendem a se disseminar de forma mais rápida. A medicação age direto sobre a proteína HER2, isso porque ela atua em conjunto a um anticorpo que faz com a mesma ser entregue diretamente na célula que está expressando a proteína HER2. Ao chegar na célula cancerígena, o TDMI-1 inibe a replicação da mesma. Ele foi o primeiro com esse mecanismo de funcionamento aprovado no Brasil.
Contudo, a medicação deve ser utilizada apenas em dois cenários. O primeiro é quanto outros tipos de medição não foram capazes de conter o avanço da doença, ou seja, quando ela se espalha, processo esse chamado de metástase. O outro diz respeito aos casos em que ainda existe doença residual e riscos de metástase mesmo após a quimioterapia e cirurgia.
Segundo especialistas, o tratamento costuma ter bons níveis de tolerância, com bons níveis de controle da doença e menos efeitos colaterais em comparação a uma quimioterapia. Nos casos de pacientes com doença residual, a medicação realmente diminui o risco futuro de metástase. Segundo o Ministério da Saúde, a medicação passou por avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), o qual recebeu recomendação favorável.
Texto por Dalcio Neto | Ipedss Science
Fontes:
- Diário Oficial da União. Portaria SCTIE/MS Nº 98, de 9 de Setembro de 2022. Disponível em: <https://www.in.gov.br/materia> Acessado em: 15/09/2022
- Melo, Karine. Medicamento para tratar câncer de mama é incorporado ao SUS. Agência Brasil, 2022. Disponível em: <https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2022-09/medicamento-para-tratar-cancer-de-mama-e-incorporado-ao-sus> Acessado em: 15/09/2022
- Toledo, Raisa. Câncer de mama: SUS incorpora medicamento que reduz risco de metástase. Viva bem UOL, 2022. Disponível em: <https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/agencia-estado/2022/09/15/cancer-de-mama-sus-incorpora-medicamento-que-reduz-chance-de-metastase.htm?utm_source=flipboard&utm_medium=referral&utm_campaign=saude> Acessado em: 15/09/2022
