A malária é uma doença infecciosa febril aguda, que é causada por protozoários, e transmitida pela fêmea infectada do mosquito Anophele, da mesma família dos pernilongo comum e do “mosquito da dengue”, a Culicidae. Qualquer pessoa pode acabar contraindo a doença, e caso ocorra mais de um episódio de infecção, ou seja, uma reinfecção podem apresentar poucos ou mesmo nenhum sintoma.

Os sintomas da doença são calafrios, febre e sudorese durante as primeiras semanas após a contaminação e a doença pode levar à morte, se não houver tratamento adequado. A malária é uma doença que tem cura e o tratamento é eficaz, simples e gratuito. Entretanto, a doença pode evoluir para suas formas graves se não for diagnosticada e tratada de forma oportuna e adequada.

Porém, uma imunidade esterilizante, que confere total proteção clínica, até hoje não foi observada. Caso não seja tratado adequadamente, o indivíduo pode ser fonte de infecção por meses ou anos, de acordo com a espécie parasitária. Ela não é contagiosa, desta forma, uma pessoa doente não é capaz de infectar outra, sendo transmitida apenas através de um vetor.

No Brasil, a maioria dos casos de malária se concentra na região Amazônica, composta pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Na região extra-Amazônica, composta pelas demais unidades federativas e o Distrito Federal, apesar das poucas notificações, se observa uma alta letalidade que chega a ser 128 vezes (dado preliminar de 2019) maior que na região Amazônica.

Na última segunda-feira (06), foi publicado o relatório mundial de 2021 sobre a malária, ele mostra que Brasil, Colômbia e Venezuela juntos totalizam quase 80% de todos os casos de malária nas Américas em 2020. No Brasil, 99% dos casos estão concentrados nos nove estados da “região amazônica”, que abrangem parte do bioma da floresta amazônica; o país registrou 140.974 casos no ano passado, uma redução de 10,5% em relação a 2019, e de 27,5% em relação a 2018.

Segundo o documento, 18 países do continente, considerados endêmicos para a doença, foram responsáveis por aproximadamente 0,3% de todos os casos no mundo. Entre 2000 e 2020, segundo a OMS, o continente americano reduziu significativamente os casos de malária. O total de casos da doença caíram cerca de 58%, de 1,5 milhão, para cerca de 650 mil casos. Outro número que registrou queda foi a mortalidade na população em área de risco de transmissão, passando de 0,8 para 0,3 para cada 100 mil habitantes. Mas infelizmente houve um aumento nas mortes se considerarmos o período de início da pandemia, na África.

Cerca de dois terços das mortes adicionais por malária em 2020 foram devido às restrições do coronavírus que interromperam a prevenção, diagnóstico e tratamento da malária, disse a OMS.“Graças a esforços urgentes e extenuantes, podemos afirmar que o mundo conseguiu evitar o pior cenário de mortes por malária”, disse Pedro Alonso, diretor do programa global de malária da OMS. Os especialistas esperam que a luta contra a malária possa ganhar terreno considerável após a recomendação da OMS em outubro de que RTS, S – ou Mosquirix – uma vacina desenvolvida pela farmacêutica britânica GlaxoSmithKline deve ser amplamente administrada a crianças na África.

“Com mais financiamento, acesso a ferramentas que salvam vidas e inovação robusta em novas ferramentas para ficar à frente do mosquito e parasita em evolução, podemos acelerar a ação transformadora e acabar com a malária em uma geração”, disse Abdourahmane Diallo, executivo-chefe da RBM Grupo de defesa da Parceria para Acabar com a Malária. “Estamos agora em um momento crítico e exorto os líderes globais a um compromisso e investimento renovados”, disse ele em um comunicado.

Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science

Fontes:

Inscreva-se em nossos canais do Telegram e do YouTube

Acesse nossas redes sociais Instagram e Facebook

Voltar ao blog