Trata-se como câncer metastático, aquele que espalha-se para inúmeras partes do corpo, além do local de início. Pode ocorrer quando há disseminação de células cancerosas para outras áreas do corpo através das correntes sanguíneas, ou dos vasos linfáticos. Mas em sua maioria quando células se soltam do tumor primário, viajam através da corrente sanguínea, em sua maioria essas células morrem antes de afetarem outros locais, mas em alguns casos essas células podem se inserir em novos locais causando assim outros focos de tumores, o que se denomina de metástase. No caso dos cânceres de mama que porventura cheguem a uma metástase, acabam por atingir os ossos, fígado, e chegam até os pulmões.

Uma pesquisa publicada recentemente na revista científica Advanced Science, um grupo de especialistas buscou criar um novo tratamento específico para este tipo de caso, utilizando um vírus, conhecido como vírus mosaico, que cresce em plantas como feijão-fradinho, causa nas plantas necrose na extremidade superior do caule, morte dos brotos terminais e queda prematura das folhas, de acordo com a Embrapa, mas não se replica em mamíferos.

Para realizar os testes, esses pesquisadores inocularam fragmentos do vírus em camundongos acometidos por câncer de mama ou melanoma metastático, para que o vírus pudesse auxiliar o corpo a eliminar as células cancerosas, o vírus em si não causa danos ao organismo, porém ele causa um alerta ao sistema imunológico para desencadear essa defesa.

Os testes resultaram em uma diminuição da disseminação desses cânceres até os pulmões, ou na prevenção da sua chegada até os pulmões. Para conduzir essa reação imunológica do organismo os pesquisadores projetaram nanopartículas virais em laboratório que chegassem até a proteína S100A9, escolheu-se ela porque ela secreta uma substância que auxilia no combate a infecções pulmonares, além de contribuir na dissipação de tumores cancerígenos quando manifestam-se em grandes quantidades.

O que ocorreu é que as nanopartículas de vírus atuaram nos pulmões, recrutando células imunológicas. “Elas podem alterar o microambiente tumoral para se tornarem mais adeptas a combater o câncer – isso inclui não apenas tumores já estabelecidos, mas também futuros tumores", explica Eric Chung, aluno Ph.D. em bioengenharia que colaborou com o estudo, em comunicado.

Tais respostas são extremamente importantes para o estudo deste tipo de câncer, pois quando o câncer chega aos pulmões o caso pode ser difícil de tratar, em alguns momentos irreversível, chegando a ser mortal. O tratamento pode não servir para prevenir tumores, mas pode ser útil para pacientes que removeram tecidos cancerígenos, impedindo que eles voltem, e afetem novamente na forma de metástase, podendo ser utilizado inclusive concomitantemente com outros tratamentos, tais como quimioterapia, remédios e radioterapia. Mas para que esse tratamento seja oferecido para pacientes, ainda devem ser feitos mais estudos sobre imunotoxicidade e farmacologia.

Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science

Fontes:

- Revista GALILEU

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