
O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, responsável pelo chute de abertura da copa do mundo de 2014, onde o paraplégico Juliano Pinto com 29 anos na época, utilizando um exoesqueleto (uma estrutura metálica que dá sustentação ao corpo e reage a comandos do cérebro, como andar e chutar) criado pelo neurocientista. O estudo iniciado em 2001 teve a sua primeira exibição pública ao vivo, para milhões de pessoas (Clique aqui para assistir os vídeos de demonstração).
Em uma entrevista realizada para um canal de Podcast, o neurocientista explicou que nos últimos 12 anos de estudo, resultaram em uma nova descoberta, “Nós chegamos à conclusão, estudando vários modelos durante 12 anos, que a epilepsia focal é a via comum, fisiopatológica, de múltiplas doenças do cérebro.” A epilepsia focal é uma doença neurológica caracterizada por convulsões em uma área limitada menor que um hemisfério cerebral. Os sintomas dependem do lobo cerebral afetado e duram geralmente de 1 a 2 minutos.
Miguel Nicolelis acredita que a eletroestimulação na medula espinhal poderá ser uma tendência futura nos tratamentos de doenças como depressão, doença de Parkinson, Alzheimer, etc. Ainda de acordo com ele, as investigações feitas por ele e sua equipe revelaram que a epilepsia seria um dos fortes fatores na origem do desenvolvimento das formas mais agudas de muitas dessas doenças psiquiátricas – já teria achado evidência em cobaias de mais de 60 dessas doenças – e o tratamento poderia ser feito por um prótese neuronal subcutânea que impediria as crises epilépticas.
Esse estimulador, que funcionaria como um desfibrilador cerebral, poderia ser equipado com baterias de longa duração - uma vez que o estímulo elétrico não seria constante, mas disparado eventualmente - e ainda poderia ser ajustado por um especialista remotamente (por um celular, por exemplo).
O neurocientista diz ainda que seu artigo não faz distinção entre neurologia e psiquiatria, que as descobertas explicam porque os medicamentos contra a epilepsia são muito usados em doenças psiquiátricas e que a novidade tem o potencial de desacelerar a degeneração neuronal em doenças como o Alzheimer.
Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science
Fontes:
- BRASIL ACADÊMICO, Blog. Doenças psiquiátricas poderão ser tratadas com estímulo elétrico espinhal no futuro. Disponível em: <http://blog.brasilacademico.com/2022/05/doencas-psiquiatricas-poderao-ser.htmll>. Acessado em: 25/05/2022.
