A busca por imunizantes capazes de combater o vírus do HIV, já perdura por inúmeros anos, mas os últimos resultados de uma pesquisa chamada Mosaico são apontados como promissores. O estudo é realizado no âmbito da Rede HVTN, financiado em colaboração com a Johnson & Johnson, e conta com parceria da Faculdade de Medicina da UFMG e instituições de oito países. A pesquisa está em fase de testes em humanos, com recrutamento de voluntários aberto até julho deste ano.

O professor Jorge Andrade Pinto conta que com os primeiros testes, o imunizante se mostrou suficientemente imunogênico, o que significa que sua capacidade em prevenir um contato natural com o vírus HIV é razoável. “Eu penso que esse é o cenário ideal. Que tenhamos uma vacina contra o HIV que possa ser utilizada e incluída nos calendários vacinais das crianças e adolescentes”, estima.

Apesar de parecer que a doença é negligenciada, a procura por uma forma de imunização já acontece por décadas, mas as especificidades do vírus ocasionaram essa demora em conseguir uma solução.

A produção da vacina para HIV segue a mesma metodologia utilizada pela farmacêutica Janssenn, na vacina utilizada para o Coronavírus, de acordo com o professor Jorge Andrade Pinto, esse é o método vacinal mais seguro já utilizado. A pesquisa desenvolvida busca a produção de dois tipos de vacina uma delas é produzida a partir de um vetor viral que expressa as proteínas do vírus e a outra, considerada como um reforço da primeira, é produzida apenas com as próprias proteínas, E será aplicada em duas etapas, as primeiras duas doses são compostas pelo vetor viral e as duas últimas doses compostas pelas proteínas do HIV.

A vacina esta no momento passando por testes em humanos, sendo o público alvo para essa nova etapa homens cisgênero ou pessoas trans que fazem sexo com homens cisgênero e/ou pessoas trans, que tenham entre 18 e 60 anos de idade. "Após o primeiro contato com a equipe responsável, o voluntário passa a ser acompanhado por 24 meses e recebem instruções sobre as medidas de prevenção já conhecidas e que precisam permanecer, como o uso de preservativos e redução do número de parceiros sexuais."

Texto por Charger Souza e Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science

Fonte: Faculdade de Medicina da UFMG

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