
Algumas capitais como, São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro apresentaram uma alta incidência de casos de gripe nas últimas semanas. O vírus causador da doença é de característica sazonal, sendo predominante nos meses de outono e inverno, mas o que explica o alto índice de casos nestas capitais?
O aumento de casos durante o mês de dezembro é tido como um fenômeno incomum, e tem sido associado à baixa cobertura vacinal contra a gripe em conjunto à flexibilização das medidas de restrição adotadas em virtude da Covid-19, como o uso de máscaras, a higienização das mãos e o distanciamento social. Segundo o virologista Fernando Motta, do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz, as linhagens do vírus influenza em circulação neste momento no país não apresentam variações genéticas desconhecidas pela comunidade científica.
Motta afirma que os casos estão associados principalmente à linhagem “Darwin” do vírus Influenza A (H3N2), que foi a cepa predominante da recente temporada de gripe no hemisfério Norte. A linhagem Darwin não está incluída na composição das atuais vacinas em uso no hemisfério Sul, fator que pode ter contribuído para o aumento dos casos. O Instituto Butantan, que é produtor das vacinas da gripe aplicadas no país pelo Sistema Único de Saúde (SUS), através de um comunicado informou que os imunizantes atualizados começarão a ser fabricados em janeiro.
Como definido pela OMS, as vacinas produzidas para 2022 a partir de ovos de galinha, como é o caso das vacinas produzidas pelo Instituto Butantan, devem utilizar as cepas Influenza A/Victoria/2570/2019 (H1N1)pdm09, a Influenza A/Darwin/9/2021 (H3N2) e a Influenza B/Austria/1359417/2021 (linhagem B/Victoria). Segundo Motta, a composição final da vacina tem como objetivo induzir o sistema imunológico a produzir anticorpos e defesas celulares capazes de neutralizar a maior quantidade possível de vírus Influenza.
As epidemias são provocadas por variantes dos três vírus principais, sendo dois do tipo A: influenza A(H1N1)pdm09 e A(H3N2), e de influenza B, que não possuem subtipos, mas sim as linhagens Victoria e Yagamata, conforme explicou Paola Resende, da Fiocruz, para a emissora CNN Brasil. Ainda segundo ela, por mais que haja diferenças genéticas, todos os tipos de vírus influenza podem provocar os mesmos sintomas, como febre alta, tosse, garganta inflamada, dores de cabeça, no corpo e nas articulações, calafrios e fadiga.
As medidas de prevenção utilizadas no combate à Covid-19 são eficazes para a prevenção da Gripe. Fazer o uso de máscaras não protege somente contra a Covid-19, mas também evita o contágio da Influenza H3N2 e H1N1. Lavar as mãos, evitar aglomerações, manter os ambientes ventilados e evitar contato com alguém gripado, são atitudes que podem prevenir a infecção.
Texto por Dalcio Neto | Ipedss Science
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