Mais conhecidos como colesterol “bom” (HDL) e “ruim” (LDL), e VLDL (na sigla em inglês, very-low-density lipoprotein), os triglicerídeos são as principais gorduras do nosso organismo. Estão presentes em vários alimentos, especialmente nos alimentos ricos em carboidratos, mas a maior parte que circula no sangue costuma ser produzida pelo nosso próprio organismo, através do fígado e integram o conjunto de exames que analisam o perfil lipídico do paciente.

Lipídios são as principais moléculas de gordura que circulam pelo organismo e são dados comuns nos resultados de sangue, mas nem todo mundo sabe o que eles representam, quais são as causas para o seu aumento, e quais os perigos de manter níveis elevados desses marcadores.

Eles são produzidos no fígado depois da metabolização do excesso de gordura, álcool ou carboidratos, os triglicerídeos são carregados pelo VLDL. Como a produção do VLDL é inibida pela insulina (hormônio produzido pelo pâncreas e responsável por entregar a glicose às células para ser transformada em energia), quando estamos comendo e liberando insulina, sinalizamos ao organismo que há energia disponível e não há necessidade de os triglicerídeos serem produzidos, já que a função deles é ser a reserva energética.

“No entanto, quando há resistência à insulina, como na obesidade, síndrome metabólica e diabetes, o fígado passa a liberar mais VLDL”, explica Thiago Fraga Napoli, representante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - Regional São Paulo (SBEM-SP), sobre o aumento na fabricação e, por consequência, o descontrole do nível recomendado dos triglicerídeos.

Segundo Napoli, o perfil mais comum do paciente com exames alterados é aquele com excesso na ingestão de calorias pela dieta e maior resistência à insulina. Outras causas, ainda que menos comuns, são a desregulação dos hormônios cortisol ou do crescimento e o uso de anticoncepcional oral.

Para que nosso organismo funcione da maneira adequada, as taxas de triglicerídeos devem manter-se normais, eles estão elevados quando em adultos está acima de 150 mg/dL, em exame feito em jejum, em adultos, devem chamar atenção de médicos e pacientes, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Em crianças e adolescentes, os níveis desejáveis são abaixo de 75 mg/dL (entre 0 a 9 anos) e de 90 mg/dL (entre 10 a 19 anos).

Níveis alterados de triglicerídeos em geral, estão associados a deficiências familiares de metabolização do colesterol, como a síndrome da quilomicronemia família, doença hereditária e rara caracterizada pela dificuldade no processo de digestão das gorduras. Pessoas com esse diagnóstico podem apresentar concentrações que ultrapassam os 10 mil mg/dL de triglicerídeos.

Manter níveis elevados de triglicerídeos aumenta o risco de problemas cardiovasculares. Acima de 500 mg/dL ou 1000 mg/dL, em adultos, pode levar à aterosclerose (acúmulo de placas de gordura nas artérias) e pancreatite (inflamação no pâncreas). Em contrapartida, não há riscos quando o nível está muito baixo, exceto em situações de desnutrição.

De acordo com Marcelo Bertolami, assessor científico da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), crianças com histórico familiar de problemas cardíacos devem ter o perfil lipídico dosado a partir dos 10 anos, para identificar precocemente alterações nos níveis dos triglicerídeos.

Infelizmente não há em si sintomas causados por alterações nesses níveis, mas pessoas com altas taxas podem ter queixas de indisposição, cansaço e fadiga, em alguns casos. Nos casos em que os níveis estão muito alterados, a condição apresenta lesões na pele, ou xantoma eruptivo, segundo Bertolami. “São como bolinhas de gordura que aparecem na pele e podem se espalhar pelo corpo. Mas aí a taxa já pode estar muito alta”, alerta. Para manter as taxas baixas podemos simplesmente modificar algumas ações do nosso dia a dia tais como:

Mantenha um peso saudável - pergunte ao seu médico qual é o peso ideal para você. A boa notícia é que uma pequena perda de peso (de três a cinco quilos) já pode gerar uma grande redução nos seus níveis de triglicérides.

Diminua as calorias - lembre-se que calorias extras são convertidas em triglicérides e armazenadas como gordura. Reduzir a quantidade calorias que você consome irá reduzir os triglicérides.

Evite alimentos açucarados e refinados - os carboidratos simples, como refrigerantes, bolachas e alimentos feitos com farinha branca podem aumentar os triglicérides.

Escolha gorduras saudáveis - troque a gordura saturada encontrada em carnes pela gordura monoinsaturada encontrada em plantas, tais como azeite, amendoim e óleo de canola. Substitua carne vermelha por peixes ricos em ácidos gordos ómega-3 (como bacalhau, salmão, sardinha e atum).

Limite a quantidade de álcool - o álcool é rico em calorias e açúcar e tem um efeito particularmente potente em triglicérides. Mesmo pequenas quantidades de álcool podem aumentar os níveis de triglicérides.

Exercite-se regularmente - fazer atividades físicas regularmente pode queimar o excesso de triglicérides e aumentar colesterol “bom”. Tente fazer pelo menos 30 minutos de exercícios por dia.

Se as mudanças de estilo de vida não forem suficientes para controlar níveis elevados de triglicérides, o médico pode recomendar alguns medicamentos.

Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science


Fontes:

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