
No início da semana passada começaram a surgir rumores de uma nova cepa do Coronavírus, inicialmente conhecida como B.1.1.529, e posteriormente sendo batizada de Ômicron, até o que se sabe no momento, ela surgiu na África do Sul e já foi detectada em pelo menos 14 países. Desde a semana passada muitos países têm suspendido voos vindos de países africanos (inclusive o Brasil), buscando frear a disseminação dessa nova cepa, uma vez que a mesma já foi confirmada em todos os continentes.
Ainda não há dados suficientes para afirmar se essa nova variante é tão perigosa assim, mas tem se tornado preocupante pois essa ela tem cerca de 50 mutações (algo nunca visto antes), sendo mais de 30 delas na proteína "spike" (a "chave" que o vírus usa para entrar nas células e que é o alvo da maioria das vacinas contra a Covid-19). O virologista Tulio de Oliveira, diretor do Centro para Resposta Epidêmica e Inovação na África do Sul, que anunciou a descoberta da nova variante na quinta-feira (25), afirma que a ômicron carrega uma "constelação incomum de mutações" e é "muito diferente" de outros tipos que já circularam.
"Esta variante nos surpreendeu, ela deu um grande salto na evolução [e traz] muitas mais mutações do que esperávamos", afirma Tulio Oliveira, que é brasileiro. Mas ainda é cedo para dizer o quão transmissível ou perigosa é a variante — e seu efeito sobre as vacinas já desenvolvidas. O instituto de pesquisa de Túlio de Oliveira é vinculado à Universidade de Kwazulu-Natal e foi responsável pelo descobrimento da variante beta, uma das quatro cepas consideradas de preocupação global (VOC) pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O que se sabe até agora sobre essa variante ainda é um pouco incerto, ela foi diagnosticada pela médica Angelique Coetzee, após notar que houve um aumento de jovens saudáveis com sinais de fadiga em seu consultório. “Os sintomas que eles apresentavam eram muito diferentes e mais leves dos que eu havia tratado antes", afirmou a profissional da saúde. A confirmação da nova variante veio depois dela desconfiar destes pacientes que se queixaram no mesmo dia de cansaço extremo, dores no corpo e de cabeça. Após testes, veio a confirmação: todos com Covid, apesar de não apresentarem tosse ou perda de olfato e/ou paladar, sintomas clássicos da doença.
Então ela alertou as autoridades sul-africanas de saúde, por considerar que se tratava de algo diferente da variante delta, primeiro identificada na Índia e que se tornou prevalente no mundo, inclusive na África do Sul. Quando saíram os resultados dos sequenciamento dos exames ficou confirmado que se tratava de uma nova variante, a B.1.1.529 (Ômicron), "Clinicamente, o que estamos vendo na África do Sul — e eu estou no epicentro, realizando atendimentos — são casos extremamente leves. Ninguém precisou ser internado", diz a médica, "Conversei com colegas e eles relataram a mesma coisa".
"Os casos já devem estar circulando nos países sem serem notados. Então, nesse momento, eu diria que com certeza [o pânico é desnecessário]. Em duas semanas, talvez nossa avaliação mude." Continuou.
Apesar de existirem inúmeras variantes do Coronavírus circulando em todo o mundo. Isso é esperado porque os vírus sofrem mutações o tempo todo. Mas o que realmente assusta com essa nova variante é sua gritante diferença se comparada a cepa original que resultou na pandemia, que foi usada como base para o desenvolvimento das atuais vacinas disponíveis, mas isso não significa que essas vacinas oferecerão proteção zero, mesmo assim as vacinas atuais continuam sendo o maior e melhor meio para se adquirir proteção, reduzindo o risco de manifestações mais graves da doença e protegendo contra outras variantes importantes da covid, incluindo a delta, alpha, beta e gama.
Ainda não há nenhum tipo de evidência de há diferença clínica entre as cepas, mas como está acontecendo um rápido crescimento na taxa de transmissão, o que está causando essa preocupação, pois no surgimento da doença existia uma maior probabilidade de idosos e indivíduos com doenças crônicas, porém essa nova cepa vem circulando mais e geralmente são saudáveis, e se ela espalhar-se mais, levará um tempo antes que seus efeitos, em termos de gravidade da doença, possam ser avaliados.
Felizmente, parece que todos os testes de diagnóstico verificados até agora são capazes de identificar o novo vírus. Melhor ainda, alguns ensaios comerciais amplamente usados mostram um padrão específico: duas das três sequências do genoma alvo são positivas, mas a terceira não. É como se a nova variante marcasse consistentemente duas das três caixas no teste existente.
Isso pode servir como um marcador para B.1.1.529, o que significa que podemos estimar rapidamente a proporção de casos positivos devido à infecção por B.1.1.529 por dia e por área. Isso é muito útil para monitorar a propagação do vírus quase em tempo real. "Até o momento não se registrou nenhuma morte associada à variante ômicron", afirmou a OMS em um documento técnico, que também apresenta conselhos às autoridades para tentar frear seu avanço.
Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science
Fontes:
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