O aumento de casos de Covid-19 em janeiro causou uma nova onda e dessa vez não limitou-se a atingir só adultos (esses já haviam recebido duas ou até mesmo três doses da vacina e em sua maioria tiveram sintomas leves), ela causou uma alta exacerbada de crianças contaminadas, lotando UTIs pediátricas e ocasionando mortes.

"Somos hospital de referência, e nossa UTI pediátrica de covid ficou lotada em janeiro, enquanto o atendimento para adultos ficou relativamente tranquilo", contou a pediatra intensivista Manuela Monte trabalha, em Fortaleza, no Ceará, em entrevista à BBC News Brasil. "Tem vindo crianças de todas as faixas etárias com covid. E tivemos casos graves em crianças que não tinham nenhum problema de saúde. Por causa do sistema imune abalado pela covid, acabaram pegando infecção bacteriana, pneumonia ou meningite antes de chegar ao hospital.”

Identificada na África do Sul em novembro, a ômicron é muito mais transmissível que as demais variantes do vírus e é mais capaz de reinfectar quem já teve covid, embora pesquisas preliminares apontem que pode ser menos letal.

A pediatra Manuela Monte avalia que o aumento de hospitalizações e casos graves se deve a uma conjunção de fatores. Como a ômicron é mais contagiosa, mais crianças estão sendo infectadas agora que nas ondas anteriores e isso pode elevar o número de internações e, eventualmente, mortes.

Além disso, lembra Monte, a ômicron veio num momento de flexibilização de regras de isolamento social no Brasil, combinado com festas de fim de ano e férias, o que elevou a exposição das crianças à doença."A Ômicron se propaga de maneira mais fácil, o que acabou expondo as crianças."

E, enquanto cerca de 70% da população adulta brasileira já contava com ao menos duas doses da vacina contra covid, a imunização para crianças de 5 a 11 anos só começou por volta do dia 17 de janeiro, após resistência do governo federal. Bebês e crianças acabaram se tornando um grupo fortemente atingido pela ômicron na comparação com adultos já imunizados. Por fim, Manuela Monte avalia que a crença de que a covid-19 é leve em crianças e de que a ômicron é mais branda que as demais variantes pode ter provocado uma "falsa sensação de segurança". Muitos pais e cuidadores acabam demorando para levar as crianças ao hospital por não saber dos potenciais riscos associados à covid-19 em crianças, diz a médica. Outros moram longe de hospitais de referência e têm dificuldade de acesso.

Segundo Manuela Monte, com o progresso da vacinação de crianças de 5 a 11 anos no Brasil, a expectativa é que haja uma redução nos casos graves e nas hospitalizações - assim como ocorreu com outras faixas etárias que já tiveram acesso à imunização. "Acredito fortemente que a vacinação deve reduzir mortes na UTI de covid, já que ela diminui a gravidade das infecções. A gente vê que os adultos têm tido casos mais leves. E isso pode acontecer com as crianças também", diz.

"Quem vivencia esse dia a dia de receber pacientes na UTI sabe o quanto vacinar é importante para reduzir a gravidade da doença." Monte viu uma redução, a partir do começo de fevereiro, do número de internações. Em outras capitais, como São Paulo, as hospitalizações também estão caindo. Isso pode significar que o pico da onda da ômicron está passando. "Foi complicado, porque a gente estava achando que as coisas iam melhorar e aí veio a Ômicron e vimos ainda mais internações de crianças e com gravidade. Mas, em fevereiro, já começou a melhorar", disse Monte. "Foi uma onda em que vimos mais mortes na nossa UTI. Mas, aparentemente, é uma onda mais curta."

Mesmo havendo a diminuição de casos no mês de fevereiro, a vacinação infantil se faz necessária, pois a chegada de novas variantes, como foi o caso da Ômicron, com maior transmissibilidade, faz das crianças (ainda não vacinadas) um grupo com maior risco de infecção.

Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science

FONTE:

  • Fonte: PASSARINHO, Nathalia. Covid-19: onda da ômicron é a que mais matou crianças na nossa UTI, diz pediatra intensivista. BBC News Brasil, 2022. Disponível em: <https://canaltech.com.br/saude/quando-sera-o-pico-da-omicron-no-brasil-anvisa-e-autotestes-207822/> Acessado em: 14/02/2022.

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