Em meio a uma nova onda de transmissões da covid-19 o surgimento de uma variante causou preocupações em todo o mundo, à medida em que ela vai se espalhando, espalham-se também inúmeras dúvidas, tais como, sua taxa de transmissão, periculosidade e etc.

Fonte: Agência CNN • * No Reino Unido, foram confirmados casos na Inglaterra e na Escócia
Fonte: Agência CNN • * No Reino Unido, foram confirmados casos na Inglaterra e na Escócia

No dia 26 de novembro a variante Ômicron foi classificada como uma variante de preocupação. Descoberta na África do Sul, a nova variante já foi detectada em cerca de 40 países (incluindo o Brasil, que até o momento, possui seis casos confirmados: três em São Paulo, dois no Distrito Federal e um no Rio Grande do Sul), sendo detectada em todos os continentes e chama a atenção pela quantidade e pela variedade de mutações genéticas.

Uma das preocupações foi em relação às vacinas, se elas seriam capazes de nos proteger dessa nova cepa, e em virtude disso os laboratórios, nos últimos dias, têm se pronunciado a respeito do que sabem até o momento e de suas expectativas em relação à eventual necessidade de desenvolvimento de vacinas atualizadas. Com testes já em andamento, espera-se que em duas ou três semanas haja resultados que indiquem se será preciso que as vacinas passem por modificações.

A opinião é das especialistas Isabella Ballalai, pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), e Rosana Ritchmann, infectologista do Instituto Emílio Ribas, “Temos uma perspectiva de que a Ômicron não seja uma variante que fuja das vacinas, mas é claro, corremos o risco da volta da circulação do vírus com uma taxa maior [de infecção]”, explicou Isabella Ballalai. Já Ritchmann opinou que a variante tornou até mais fácil a tomada de algumas decisões do ponto de vista das políticas públicas, como flexibilizações que estavam acontecendo.

“Antes dessa variante vínhamos discutindo se deveria ter Carnaval, Réveillon, e quais eram os riscos. Vendo um cenário mais favorável aqui no Brasil, claro que estávamos animados para querer flexibilizar mais. Essa variante ajuda a gente a falar que realmente não é hora de flexibilizar”, afirmou.

As duas também defenderam a importância de que a população brasileira complete o esquema vacinal com duas doses (ou dose única) das vacinas contra a Covid-19 e também que seja oferecida uma dose de reforço contra a doença assim que houver vacina para toda a população.

“Está saindo, estudo atrás de estudo [mostrando] que ao fazer a terceira dose, a dose de reforço, a quantidade de proteção sobe muito e mais rápido do que com as duas primeiras doses”, explicou a infectologista Rosana Ritchmann.

Embora não haja até o momento nenhum registro de morte ocasionada pela nova cepa, ela traz inúmeras preocupações. O que se sabe até o momento, é que essa nova variante apresenta uma maior taxa de infecção e contaminação, mas ainda não se pode dizer o quanto ela é mais transmissível, ou se consegue escapar da imunidade obtida com as vacinas ou com infecção prévia; apesar disso aparentemente causa apenas sintomas leves, sem que haja a evolução para casos mais graves. Mas ainda é muito cedo para se dizer que seja uma cepa mais “leve”.

Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science

Fontes:

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