A chegada do mês de outubro espalha a coloração rosa pelo nosso país, em virtude da conscientização sobre o câncer de mama, objetivando elevar a importância de um diagnóstico precoce, pois durante o ano de 2020 houve uma queda de 42% no número de mamografias realizadas por mulheres entre 50 e 69 anos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, a cada ano cerca de 66 mil mulheres são acometidas pela doença no país, mostrando que esse tipo de câncer é prevalente em mulheres, apesar de também ocorrer em homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença. O Atlas de Mortalidade por Câncer do Inca, que reúne os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), indica que a doença levou à morte de 18.295 pessoas no país em 2019, sendo 18.068 mulheres e 227 homens.

Segundo Jordana Bessa, médica da Sociedade Brasileira de Mastologia e do Oncologia D’Or, idealizadora do estudo sobre a queda do número de exames, “Identificamos um aumento de mulheres com nódulos palpáveis, saindo de 7% em 2019 para 7,9% em 2020, algo de extrema preocupação para todos nós”, disse. O fato de a queda no número de exames ter se intensificado em meados do mês de abril indica que a pandemia foi o fator principal nessa retração. Em abril de 2019, foram realizados 154 mil exames na faixa etária avaliada. Já em abril de 2020, foram 37 mil exames, uma queda de 76%. “Os serviços de saúde essenciais não ficaram fechados, mas as próprias pacientes tiveram receio de fazer os exames e de se expor ao contágio”, afirma Jordana

Ainda de acordo com a especialista, em outubro de 2020 houve uma elevação nos índices de mamografia, em razão das campanhas de conscientização. “Tivemos 135 mil exames, mas em outubro de 2019 foram 214 mil. Ainda não chegou ao mesmo patamar. Está havendo uma recuperação, mas ainda não alcança os mesmos níveis de 2019”, disse.

Uma outra pesquisa realizada por pesquisadores brasileiros e canadenses, buscou identificar as motivações para a baixa adesão ao exame de mamografia no país. A pesquisa, publicada no periódico científico Nursing Open, realizou uma revisão literária sobre o tema publicados entre 2006 e janeiro de 2020, totalizando a inclusão de 22 trabalhos.

Ao todo, os pesquisadores identificaram cerca de 41 fatores que podem influenciar na adesão ao exame, divididos entre características demográficas e socioeconômicas, uso do serviço de saúde, histórico médico e rastreamento anterior de câncer. Sendo apontado como o fator com maior influência a questão socioeconômica, uma vez que mulheres de uma maior faixa etária, com um relacionamento, que tem ensino superior, uma maior renda, residem em área urbana e em sua maioria na zona Sudeste do Brasil, esses são os aspectos mais relacionados a procura por exames de mamografia, indicando que mulheres com melhores condições econômicas são as que mais procuram realizar o exame.

As pesquisadoras identificaram uma escassez de investigações que relacionem a busca pelo exame e aspectos raciais. Somente 3 dos 22 estudos considerados na meta-análise incluíram esse quesito. “A ausência desse dado inviabiliza a definição de políticas de saúde voltadas para a preservação da saúde da mulher negra, além de reforçar um comportamento de omissão quanto aos cuidados para com essa mulher. Tal comportamento é contrário a um movimento de países desenvolvidos que visa trazer maior inclusão dessas mulheres no combate ao câncer”, afirma o oncologista Carlos dos Anjos, do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo.

Ainda de acordo com o oncologista Carlos dos Anjos, as causas para o câncer de mama ainda não estão totalmente esclarecidas, mas existem alguns fatores primordiais, “Algumas características podem aumentar o risco, como o sexo feminino e a idade. O risco do desenvolvimento do câncer de mama aumenta à medida que as mulheres envelhecem, ele não é tão frequente em faixas etárias muito jovens e passa a se tornar mais frequente em faixas etárias mais altas, acima de 60 e 70 anos”, afirma.

Segundo o especialista, outros fatores podem favorecer o surgimento do câncer de mama, embora sejam menos relevantes estatisticamente, como o fato de não ter tido filhos e não amamentar, o início precoce da menstruação, a menopausa tardia e a terapia de reposição hormonal. “Todos esses fatores que aumentam a exposição hormonal da mulher ao longo da vida vão impactar em um aumento do risco. Mas esse é um aumento relativamente discreto do risco”, acrescenta.

Além de fatores genéticos, tais como história familiar de câncer de ovário, casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos, história familiar de câncer de mama em homens, alteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2.

O câncer de mama é o tipo de câncer mais prevalente entre as mulheres no Brasil, e há vários tipos. Alguns têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem lentamente, é importante destacar que quanto mais cedo você encontra, maiores são as chances de cura. O câncer de mama pode ser detectado em fases iniciais, em grande parte dos casos, aumentando assim a possibilidade de tratamentos menos agressivos e com taxas de sucesso satisfatórias.

Os principais sinais e sintomas da doença são nódulos (caroços) fixos e geralmente indolores, pele avermelhada, retraída ou com lesões semelhantes à de uma casca de laranja, além de alterações no bico do peito, nódulos nas axilas ou no pescoço e saída espontânea de líquido anormal pelos mamilos.

Todas as mulheres, independentemente da idade, devem ser estimuladas a conhecer seu corpo para saber o que é e o que não é normal em suas mamas. A maior parte dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres. O Ministério da Saúde recomenda a realização da mamografia como exame de rotina, para mulheres sem sinais e sintomas na faixa etária de 50 a 69 anos, a cada dois anos.

Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science

Fontes:

- CNN Brasil

- INCA

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