A doença de Parkinson é uma condição neurológica que faz com que as pessoas percam o controle sobre seus músculos e movimentos, causando tremores, lentidão de movimentos, rigidez muscular, desequilíbrio, além de alterações na fala e na escrita. Ela ocorre por causa da degeneração das células situadas numa região do cérebro chamada substância negra. Essas células produzem a substância dopamina, que conduz as correntes nervosas (neurotransmissores) ao corpo. A falta ou diminuição da dopamina afeta os movimentos provocando os sintomas acima descritos.

No Brasil existem poucos números sobre a doença de Parkinson e esta não é uma doença de notificação compulsória. Números não oficiais apontam para pelo menos 250 mil portadores. Porém, se considerarmos o levantamento epidemiológico de todos os portadores de doença de Parkinson em um estudo realizado no interior de uma cidade de Minas Gerais com idosos de 64 anos de idade ou mais, veremos que a prevalência de Parkinson, neste estudo, foi de 3,3%. Extrapolando para o número de idosos em nosso país, veremos que provavelmente são mais de 600 mil parkinsonianos com 64 anos de idade ou mais.

E isto não leva em conta os portadores da doença jovens, aqueles que desenvolvem em idades bem inferiores à faixa etária típica. Por isto, seja no Brasil ou em qualquer país do mundo, trata-se da segunda doença neurodegenerativa mais comum. Se considerarmos o envelhecimento da população brasileira nas próximas décadas, poderemos entender o impacto desta enfermidade, social e econômico, em um futuro não muito distante.

Por razões desconhecidas, há muito tempo se descobriu que o exercício de resistência alivia os sintomas da doença de Parkinson. O Dr. Dawson (Ph.D., da Johns Hopkins Medicine), cuja pesquisa se concentra em doenças neurodegenerativas, incluindo a doença de Parkinson, disse que uma das primeiras pistas para a ligação entre exercício, doença de Parkinson e irisina veio de Spiegelman (colaborador da pesquisa), cujo primeiro artigo sobre irisina foi publicado em 2012 na Nature e posteriormente em outras revistas científicas. Mostrando que uma proteína chamada peptídeo irisina é liberada no sangue e aumenta com a prática de exercício de resistência.

Os pesquisadores Ted Dawson e Bruce Spiegelman, trabalharam juntos para investigar a ligação entre a molécula do exercício irisina e a doença de Parkinson. Para testar os efeitos da irisina na doença de Parkinson, as equipes de Dawson e Spiegelman começaram com um modelo de pesquisa usado por Dawson no qual células cerebrais de camundongos são projetadas para espalhar pequenas fibras finas de alfa-sinucleína, uma proteína que regula o humor e os movimentos relacionados ao cérebro neurotransmissor dopamina.

Em seguida, as equipes de pesquisa testaram os efeitos da irisina em camundongos projetados para apresentar sintomas semelhantes aos de Parkinson. Eles injetaram alfa-sinucleína em uma área do cérebro do camundongo, chamada estriado, onde os neurônios produtores de dopamina se estendem. Duas semanas depois, os pesquisadores injetaram um vetor viral, que aumentou os níveis sanguíneos de irisina, que pode atravessar a barreira hematoencefálica, nos camundongos. Seis meses depois, os camundongos que receberam irisina não apresentaram déficits de movimento muscular, enquanto aqueles injetados com placebo apresentaram déficits na força de preensão e na capacidade de descer um poste.

Estudos adicionais de células cerebrais entre os camundongos que receberam irisina mostraram que o hormônio do exercício reduziu os níveis de alfa-sinucleína relacionada à doença de Parkinson entre 50% e 80%. A equipe de pesquisa demonstrou que a irisina também acelera o transporte e a degradação da alfa-sinucleína por meio de sacos cheios de líquido chamados lisossomos das células cerebrais.

"Se a utilidade da irisina se concretizar, podemos imaginá-la sendo desenvolvida em uma terapia de genes ou proteínas recombinantes", diz Dawson, referindo-se ao campo cada vez maior de desenvolvimento de medicamentos destinados a usar a genética celular para tratar doenças. Se confirmado em pesquisas laboratoriais e ensaios clínicos adicionais, o estudo dos pesquisadores em camundongos projetados para apresentar sintomas da doença de Parkinson pode abrir caminho para uma terapia da doença de Parkinson baseada no hormônio irisina. Os resultados dos testes dos pesquisadores apareceram em 31 de agosto na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science

Fontes:

  • Johns Hopkins Medicine. (2022, September 12). Exercise hormone halts Parkinson's disease symptoms in mouse study. ScienceDaily. 2022. Disponível em: <https://www.sciencedaily.com/releases/2022/09/220912112423.htm> Acessado em: 13/09/2022
  • Parkinson, Disponível em: <https://www.einstein.br/doencas-sintomas/parkinson> Acessado em: 13/09/2022

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