Dentre as consequências da pandemia da covid-19, estão os efeitos que ela causa aos profissionais que atuam no atendimento aos infectados pelo coronavírus, o sars-cov-2. A exaustão física e mental de médicos e enfermeiros que atuam na linha de frente do combate a pandemia já havia sido abordada em uma reportagem da CNN Brasil no início de março, logo após completar um ano do início oficial da pandemia. Além do esgotamento físico e mental relatado pelos profissionais, o medo de serem contaminados e de consequentemente infectar familiares também foi demonstrado por eles.

A pesquisa publicada em julho de 2021, foi desenvolvida pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, durante a primeira onda de casos no Brasil, entre 19 de maio e 23 de agosto. Ela contou com 916 profissionais entre eles enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, farmacêuticos, fonoaudiólogos, assistentes sociais, dentistas e terapeutas ocupacionais. Os participantes são de todas as regiões do país com cerca de 10 anos de exercício profissional e média de 35 anos de idade, sendo em sua maioria mulheres. Aproximadamente metade são casados e 60% trabalham em instituições públicas.

Os dados coletados via formulário on-line apontam que 36% dos profissionais que participaram da pesquisa apresentaram pelo menos um indicador de problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão, insônia e estresse pós-traumático. O estudo revela que entre os entrevistados 61% possuem indicadores de insônia, 43% de ansiedade, 40% de depressão e 36% de estresse pós-traumático. A professora Flávia de Lima Osório, da FMRP e líder da pesquisa, destaca que a insônia é um sinal de alerta relevante e que a privação do sono compromete o desempenho comportamental, prejudicando a qualidade do trabalho oferecido. Os resultados apontam também que os profissionais de equipes de enfermagem apresentam maiores índices de ansiedade, depressão e estresse. Entre os fatores de risco relatados estão o medo de se infectar e contaminar os familiares, trabalhar na linha de frente e realizar hora extra.

“Esperamos que os achados possam contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para medidas preventivas e cuidados em nível ocupacional e institucional", disse a professora Flávia de Lima Osório ao jornal da USP.

Texto por Dalcio Neto | Ipedss Science

Fontes:

- CNN Brasil

- Frontiers

- Jornal da USP

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