
No início de abril deste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um estudo que alerta sobre a poluição atmosférica no mundo, colocando cerca de 99% da população mundial em risco à saúde por respirar ar de má qualidade. O levantamento foi feito em mais de 6 mil cidades de 117 países. Foram detectados, entre outras partículas que tornam o ar insalubre, altas taxas de dióxido de nitrogênio, ainda de acordo com esse estudo países de baixa e média renda são os mais expostos.
No último dia 23 de agosto foi apresentada uma pesquisa no Congresso Anual da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) 2022, que mostra uma relação causal entre a poluição do ar e ataques cardíacos em não fumantes. O autor do estudo, Dr. Insa de Buhr-Stockburger, do Registro de Infarto do Miocárdio de Brandenburgo de Berlim (B 2 HIR), Alemanha, disse: "A correlação entre poluição do ar e ataques cardíacos em nosso estudo estava ausente em fumantes. Isso pode indicar que o ar ruim pode realmente causar ataques cardíacos, já que os fumantes, que se autointoxicam continuamente com poluentes do ar, parecem menos afetados por poluentes externos adicionais”.
O estudo investigou as associações de óxido nítrico, material particulado com diâmetro menor que 10 µm (PM10) e clima com a incidência de infarto do miocárdio em Berlim. Ele incluiu um total de 17.873 pacientes que sofreram infarto do miocárdio entre 2008 e 2014, os números diários de infarto agudo do miocárdio foram extraídos do banco de dado B 2 HIR, junto com características dos paciente, tais como, idade, sexo, tabagismo e diabetes. As informações sobre duração da luz do sol, temperatura mínima e máxima e precipitação foram obtidas da estação meteorológica de Berlim Tempelhof e mescladas com os dados sobre a incidência de infarto do miocárdio e poluição do ar.
Para realizar o estudo os pesquisadores utilizaram duas linhas de pesquisa, analisaram as associações entre a incidência de miocárdio agudo e as concentrações médias de poluentes no mesmo dia e a incidência de miocárdio agudo e parâmetros climáticos, ocasionando os seguintes resultados em relação à poluição, o infarto do miocárdio foi significativamente mais comum nos dias com altas concentrações de óxido nítrico com incidência 1% maior para cada aumento de 10 µg/m 3, já a incidência de infarto do miocárdio em fumantes não foi afetada pelas concentrações de óxido nítrico e PM10. Em relação ao clima, a incidência de infarto do miocárdio foi significativamente relacionada à temperatura máxima, com incidência 6% menor para cada 10°C de aumento da temperatura. Não foram detectadas associações com a duração do sol ou precipitação.
O Dr. de Buhr-Stockburger disse: "O estudo indica que o ar sujo é um fator de risco para infarto agudo do miocárdio e mais esforços são necessários para diminuir a poluição do tráfego e da combustão. A causa não pode ser estabelecida por um estudo observacional. É plausível que o ar da poluição é uma causa que contribui para o infarto do miocárdio, uma vez que o óxido nítrico e o PM10 promovem inflamação, a aterosclerose é parcialmente causada por processos inflamatórios e nenhuma associação foi encontrada em fumantes".
Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science
Fontes:
- Sociedade Europeia de Cardiologia. (2022, 23 de agosto). A poluição do ar está associada a ataques cardíacos em não fumantes. ScienceDaily . Disponível em <www.sciencedaily.com/releases/2022/08/220823095522.htm>. Acesso em: 24 de agosto de 2022.
- ONU, 2022. Disponível em: <https://news.un.org/>. Acesso em 24 de agosto de 2022.
