
A Anvisa liberou na semana passada a vacinação contra a Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos com a vacina Comirnaty da Pfizer. No entanto, a medida está em fase de consulta pública, que vai até o dia 2 de janeiro. No dia 4, haverá uma audiência pública e, no dia seguinte, a pasta anunciará a decisão final. A vacina conta com duas doses e um intervalo de três semanas entre elas.
Entretanto, o tema tem gerado bastante discussão nos últimos dias, principalmente pelas ameaças que sofreram os diretores e servidores da Anvisa por conta da possibilidade de autorização. O tema tem gerado resistência por parte de pessoas contrárias à vacinação, que fomentam o debate em torno de possíveis efeitos colaterais, mas segundo a Anvisa, eles são raros e, no geral são semelhantes aos observados em pessoas de 16 a 25 anos, como dor na região da aplicação, febre e breve mal-estar.
A medida tem sido apoiada por diferentes entidades médicas. As sociedades brasileiras de Imunizações (SBIm), Pediatria (SBP) e Infectologia (SBI), enfatizaram que os benefícios da vacinação em crianças de 5 a 11 anos, no contexto atual da pandemia, superam os eventuais riscos associados à ela. A Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Academia Nacional de Medicina e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) também apoiam a medida.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) também já havia se posicionado alegando que, para todas as faixas etárias, os benefícios das vacinas de mRNA (como a produzida pela Pfizer) superam os riscos, reduzindo hospitalizações e mortes pela covid-19. Vale ressaltar que a carga da Covid-19 na população brasileira infantil é relevante, incluindo até o momento milhares de hospitalizações e centenas de mortes de crianças por ela.
As sociedades SBIm, SBP e SBI, destacam a existência de estudos publicados de fase 1, 2 e 3 em crianças deste grupo etário, mostrando que após duas doses da vacina Comirnaty em uma apresentação com 10 µg, às crianças de 5 a 11 anos apresentaram uma resposta de anticorpos neutralizantes em concentrações similares às observadas em adolescentes e adultos de 16 a 25 anos. Elas também ressaltam que a empresa (Pfizer) forneceu à ANVISA uma base de dados de segurança em duas coortes de crianças de 5 a 11 anos, cada uma delas com aproximadamente 1500 crianças vacinadas, sem identificar eventos adversos graves.
Segundo um estudo desenvolvido por pesquisadores da Fiocruz, a imunização de crianças é tida como uma estratégia importante para aumentar a cobertura vacinal da população brasileira, que tem apresentado uma desaceleração desde o mês de setembro. Os pesquisadores acreditam que para conter essa estagnação é preciso ampliar as faixas etárias elegíveis à vacinação.
Mais de cinco milhões de doses da vacina Comirnaty da Pfizer já foram aplicadas em crianças de 5 a 11 anos nos Estados Unidos e em outros países, com dados de farmacovigilância não revelando eventos adversos de preocupação. Segundo Raphael Mendonça Guimarães, um dos autores da pesquisa desenvolvida pela Fiocruz, “É essencial obter celeridade no processo de aquisição das vacinas que tenham comprovada segurança para crianças de 5 a 11 anos, para que este grupo fique protegido e permita uma maior cobertura vacinal total no país”.
Texto por Dalcio Neto | Ipedss Science
Fontes:
- Agência Nacional Fiocruz
- Preprints Scielo
- Revista Galileu
- Sociedade Brasileira de Pediatria
- Viva bem Uol
