Em um boletim publicado pelo Ministério da Saúde no dia 1º de Dezembro de 2021, apresenta os seguintes dados: O Brasil registrou 32.701 novos casos de HIV em 2020, sendo 7,8 mil de gestantes. De 2007 a 2021, foram notificados 381.793 casos de infecção no país, sendo 69,8% dos casos em homens e 30,2% casos em mulheres. A maior incidência de casos (52,9%) foi registrada entre pessoas de 20 a 34 anos.

Uma notícia publicada na última terça-feira traz consigo uma dose de esperança para todas essas pessoas, em um estudo conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos, apresentou resultados muito positivos, em relação a um novo tratamento para o HIV, trata-se do terceiro caso de cura de HIV, que utilizou uma técnica considerada inédita com transplante de células-tronco e sangue de cordão umbilical.

O caso ocorreu com uma mulher de 64 anos que além do HIV, tem leucemia mieloide aguda, ela recebeu transplante sanguíneo com células-tronco para o tratamento da leucemia, e acabou ficando livre do vírus HIV, cerca de 14 meses após interromper o tratamento com os medicamentos antirretrovirais. De acordo com os médicos e pesquisadores responsáveis pela paciente e pelo estudo, esses dados sugerem uma cura.

Esse caso faz parte de um estudo maior, que tem como objetivo acompanhar 25 pessoas com HIV que se submetem a um transplante com células-tronco retiradas do sangue do cordão umbilical para o tratamento de câncer e outras doenças graves.

O tratamento realizado pela paciente ocorreu basicamente em duas etapas, a primeira foi uma reposição de células sanguíneas e imunológicas, a partir de células-tronco de um doador parente, adulto e saudável, pois as suas células (tanto as saudáveis quanto as cancerígenas), foram destruídas pelo tratamento quimioterápico, tendo como objetivo a diminuição de possíveis complicações infecciosas.

A segunda parte do processo foi a utilização das células-tronco do cordão umbilical de um recém-nascido, esse por sua vez foi utilizado a fim de fornecer benefícios na reconstituição do sangue a longo prazo, a descoberta que facilitou a realização da pesquisa, foi a de que não se faz necessário encontrar um doador de células-tronco compatíveis

O sangue do cordão umbilical é usado para suprir células-tronco sanguíneas para transplantes em pacientes para os quais não foi possível encontrar doadores adultos compatíveis, ou seja, o sangue do cordão umbilical pode ser usado com sucesso mesmo quando vem de um doador sem parentesco cujos marcadores imunológicos correspondem apenas parcialmente aos do receptor. E neste estudo os pesquisadores utilizaram o sangue do cordão de um doador que continha uma variante do gene de resistência ao HIV.

Esse estudo sugere que apesar de os transplantes de células-tronco não são uma estratégia viável para curar a maioria das pessoas que vivem com HIV, ainda assim se torna uma cura para o HIV com o auxílio da terapia gênica e a possibilidade de realizar um transplante sem precisar temer um efeito colateral chamado doença do enxerto contra o hospedeiro, na qual o sistema imunológico do doador ataca o sistema imunológico do receptor.

Esse não é o primeiro relato de sucesso em pesquisas, “Este é agora o terceiro relato de cura neste cenário, é o primeiro em uma mulher vivendo com HIV”, disse Sharon Lewin, presidente eleita da Sociedade Internacional de AIDS, em um comunicado. "Juntos, esses três casos de cura pós-transplante de células-tronco ajudam a desvendar os vários componentes do transplante que foram absolutamente essenciais para a cura", disse Lewin.

Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science

FONTE:

  • ROCHA, Lucas. Mulher foi curada do HIV com tratamento de células-tronco, dizem cientistas. CNN Brasil, 2022. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/saude/mulher-foi-curada-do-hiv-com-tratamento-de-celulas-tronco-dizem-cientistas/> Acessado em: 16/02/2022.

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