Pesquisadores relataram um caso de uma pessoa cujo sistema imunológico pode ter eliminado o vírus HIV naturalmente, sem tratamento ou intervenções. O caso ocorreu com uma mulher que não quis revelar sua identidade, na cidade de Esperanza, na Argentina, segundo revela um estudo publicado no periódico médico Annals of Internal Medicine.

A "paciente Esperanza" como tem sido chamada, havia sido diagnosticada com HIV no ano de 2013 e não apresentou sinais da infecção. Os testes tradicionais não encontraram evidências de que o vírus estava ativo e que se replicou em seu corpo, apenas que a presença de anticorpos sugeria que ela havia sido infectada. Desde 2017, médicos da Argentina e dos Estados Unidos têm coletado amostras de sangue da paciente, na tentativa de encontrar vestígios do vírus. O material genético de sua placenta foi analisado em março de 2020, quando a paciente deu à luz, no entanto, nada foi encontrado mesmo após a análise minuciosa de mais de 1,19 bilhão de células sanguíneas e 500 milhões de células de tecido do organismo dela.

A explicação para isso é que as células de defesa da paciente podem ter eliminado o vírus em um fenômeno chamado de “cura esterilizante”. “Isso nos dá esperança de que o sistema imunológico humano seja poderoso o suficiente para controlar o HIV e eliminar todos os vírus funcionais”, explica Xu Yu, imunologista que foi um dos responsáveis por coordenar o estudo.

Segundo cientistas, é possível que pessoas com uma cura "natural" ainda tenham reservatórios virais que podem produzir novos vírus. Na maioria dos infectados pelo HIV, a terapia antirretroviral previne que isso aconteça, todavia no caso da "paciente Esperanza", as células T (atuantes no sistema imune) possivelmente são responsáveis por manter o agente infeccioso suprimido, não havendo a necessidade de medicação.

A melhor compreensão desses mecanismos imunológicos pode ajudar os pesquisadores a desenvolverem tratamentos que imitem essa defesa espontânea contra o HIV. “Estamos agora olhando para a possibilidade de induzir esse tipo de imunidade em pessoas em terapia antirretroviral (TARV) por meio da vacinação, com o objetivo de educar seus sistemas imunológicos a serem capazes de controlar o vírus sem a TARV”, afirma Yu, em comunicado.

Antes da "paciente Esperanza", um caso de de uma mulher norte-americana que teve a eliminação espontânea do HIV já havia sido registrado em 2020, na revista Nature. Após o sequenciamento de bilhões de suas células, nenhum indício de replicação viral foi identificado. Ela foi diagnosticada em 1992 e nunca fez uso de antirretrovirais e se manteve saudável desde então.

Texto por Dalcio Neto | Ipedss Science

Fontes:

- Annals of Internal Medicine

- EurekAlert

- G1

- Revista Galileu

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