atualização sobre covid-19

Em um post anterior (A covid-19 e o cérebro) mostramos que um estudo realizado por pesquisadores brasileiros indicava que o novo Coronavírus afeta nosso cérebro, de maneira tão invasiva, que chega a ser capaz de deixar sequelas. Um novo estudo realizado nos Estados Unidos, com cerca de 150 pacientes, identificou também que pessoas acometidas por covid-19 de forma grave acabam desenvolvendo episódios de delirium, durante a sua internação. Os dados foram coletados no início da pandemia, entre 1 de março e 31 de maio de 2020, e publicados na revista científica BMJ Journals na última sexta-feira (17).

Não é a primeira vez que estudos como esse ocorrem. Em um outro realizado em maio de 2020, os pesquisadores descobriram que os pacientes acometidos por Covid-19 podiam sofrer delírios, confusão e agitação mental. As causas por trás desses eventos, no entanto, ainda não são totalmente compreendidas pela ciência. Foi o que tentaram desvendar, ao menos em parte, os pesquisadores da nova investigação. Para a obtenção de dados a equipe realizou entrevistas por telefone após a alta e melhora hospitalar, na tentativa de mapear características em comum, entre os pacientes que apresentaram delirium durante a internação.

Vale salientar que a própria equipe de pesquisadores indicam que a gravidade da doença, pode levar ao aumento do risco de apresentação do quadro de delirium, pois os acometidos que sofreram com a disfunções cognitivas acabam por ter a necessidade de passar mais tempo em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), eles também precisaram passar por períodos de ventilação mecânica, além de estarem muito mais predispostos a necessidade de hemodiálise.

Já foi provado através de estudos que a covid-19 pode diminuir a oxigenação do cérebro, assim como ocasionar o desenvolvimento de coágulos sanguíneos, acarretando em comprometimento cognitivo. Outro ponto identificado pelos cientistas foram os marcadores inflamatórios nos pacientes que tiveram delírio estavam muito altos durante a internação, sugerindo que a confusão e agitação também podem ter sido resultado da inflamação cerebral. Outra informação que deve ser levada em consideração e foi percebida durante o estudo, são episódios de delírio relatados após a ministração de sedativos, levando os pacientes a quadros de confusão mental, principalmente quando estes sedativos eram aplicados em doses altas. “Descobrimos que os pacientes com Covid-19 grave eram inerentemente mais delirantes e agitados no início do estudo, talvez levando ao uso de mais sedativos”, explica Phillip Vlissides, médico do Departamento de Anestesiologia do centro médico acadêmico Michigan Medicine e autor da investigação, em nota.

Para que haja a redução de delirium entre os pacientes, os médicos indicam exercícios, incentivando os pacientes a movimentarem-se, além de permitirem a entrada de visitantes e objetos pessoais e domésticos no quarto do paciente. Ainda de acordo com a pesquisa, as restrições sociais impostas pela covid-19, também podem ter influenciado negativamente a aplicação dessas técnicas, principalmente, no início da pandemia (época a qual se refere a investigação), pois sabia-se muito pouco sobre a doença, e quais as melhores medidas a serem tomadas.

“No início da pandemia, não estávamos executando os protocolos de prevenção do delirium padrão como costumamos fazer. Um grande motivo para isso é que na era pré-vacina tínhamos equipamentos de proteção individual limitados e estávamos tentando limitar a exposição das pessoas à Covid-19 e a transmissão de doenças”, observa Vlissides.

Desta maneira os autores acreditam que os resultados reforçam ainda mais o papel das estratégias de prevenção de risco do delirium em pessoas com quadros graves da infecção. Isso inclui, por exemplo, trazer fotos, objetos domésticos e vídeos da família caso os parentes não puderem fazer uma visita com segurança. Nas palavras do líder da investigação, “qualquer estratégia criativa para criar esses protocolos de intervenção provavelmente serão muito úteis”.

Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science

Fontes:

- Revista GALILEU

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