
Todas as vacinas em uso atualmente no Brasil, foram desenvolvidas e aprovadas, inicialmente em caráter de urgência, em resposta à pandemia, em um intervalo de tempo muito mais curto do que o usual. Todas elas estão inseridas na Campanha Nacional de Vacinação iniciou-se em 18 de janeiro de 2021 e tem sido orientada pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19 (PNO), que no momento da publicação do relatório estava em sua 11ª revisão, buscando sempre melhorar a sua taxa de imunização e sanar possíveis efeitos colaterais.
Como foram aprovadas em um curto período de tempo os dados dos estudos clínicos voltados a Fase 4 (Testes de resultados após aplicação na população). Em virtude disso, buscando apoiar a política nacional de saúde, a Fundação Oswaldo Cruz tem desenvolvido pesquisas de avaliação da efetividade da campanha de vacinação. O relatório apresentado no último dia 9 de dezembro, traz estes dados de avaliação da efetividade das vacinas e sua taxa de proteção aos eventos notificados como consequência do adoecimento por Covid-19 na população acompanhada, de acordo com o método de análise escolhido.
No relatório foram apresentadas as análises das quatro vacinas administradas no Brasil na população geral no período de janeiro a outubro de 2021, desenvolvidas pelo projeto Vigivac da Fiocruz. A partir das análises, o grupo de pesquisadores pôde demonstrar que todas as vacinas que são administradas no país apresentam eficácia em proteger a população brasileira, algumas mais que outras, variando tanto de vacina para vacina, quanto em relação às idades dos vacinados.
Para a obtenção destes resultados foram utilizadas as análises de infecções sintomáticas, internações hospitalares e óbitos por Covid-19. E a evolução foi analisada utilizando duas medidas (Este dado é importante para entender os diferentes contextos epidemiológicos e vacinais em que cada um dos indivíduos da coorte passa a integrar a análise, informando sobre os diferentes riscos de base), uma referente ao total de doses aplicadas a cada mês, e o total de acumulados de pessoas que tomaram a primeira e a segunda dose (Essa informação de contexto é importante pois aponta o aumento da imunidade de massa, que confere proteção coletiva contra os desfechos estudados).
Nessa sua primeira edição, o relatório analisou a efetividade das vacinas CoronaVac, AstraZeneca, Pfizer e Janssen, entre os meses de janeiro e outubro de 2021. Todos os imunizantes tiveram efetividade de 83% a 99% contra óbitos e internações em todas as faixas etárias. Já na população abaixo de 60 anos, a proteção subiu para 85% contra hospitalização e para 89% contra risco de morte. Em pessoas com menos de 20 anos, os óbitos foram raríssimos, segundo o boletim, por isso não puderam ser analisados. A proteção contra quadros de Covid-19 grave nos quais há internação foi de 97% com as doses AstraZeneca, 89% com as da CoronaVac e 98% com as da Pfizer nesse grupo etário.

Segundo a Agência Fiocruz de Notícias, o relatório considera informações anônimas fornecidas de modo individual em bancos da Campanha Nacional de Vacinação, além de informações das Notificações de Síndromes Gripais (e-SUS Notifica) e Notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG 2020 e 2021; SIVEP-Gripe).
CoronaVac: A vacina da farmacêutica chinesa Sinovac e do Instituto Butantan apresentou alta efetividade para a população entre 18 e 59 anos. Nesse grupo, a proteção contra morte variou de 89% a 95%, de 85% a 91% contra hospitalizações. Por outro lado, houve uma redução na proteção em idosos. Naqueles com idades entre 60 e 69 anos, a efetividade contra contra formas graves de Covid-19 foi de 81%, chegando a 64% em maiores de 80 anos. Segundo os cientistas, isso ocorreu devido a diversos fatores, como maior intervalo desde a última vacinação e maior vulnerabilidade à doença. A CoronaVac também foi administrada quando o coronavírus circulava bem mais, sendo a mais utilizada em idosos e profissionais de saúde da linha de frente.
AstraZeneca: Uma queda de efetividade da vacina mais usada no Brasil também ocorreu conforme o aumento da idade. Enquanto na população de até 59 anos a proteção contra risco de morte foi de 99%, em pessoas com idades entre 60 e 69 anos e 70 e 79 anos esse índice foi de 97% e 93%, respectivamente. Já em idosos acima de 80 anos, a porcentagem caiu para 91%. A efetividade contra infecções seguiu a mesma tendência, com a população de 60 a 69 anos tendo proteção de 89% e indivíduos acima de 80 anos apresentando uma porcentagem de 82%.
Pfizer: Como a vacina da Pfizer foi administrada na população mais jovem e em momento epidêmico com menor circulação do coronavírus, o relatório aponta que isso pode ter favorecido os índices de efetividade dessa vacina. Na população adulta com até 59 anos, a proteção contra óbito e internação por Covid-19 foi de 99%. Já a efetividade geral manteve-se acima de 96%.
Janssen: Do total de 313 milhões de doses de vacinas no Brasil, apenas 4 milhões foram da Janssen, a menos administrada do país. Em pessoas com até 59 anos, a efetividade variou de 78% a 94% contra morte; 88% a 91% contra hospitalização e 68% a 73% contra infecção. Para a população idosa, a proteção só pôde ser estimada com segurança para a faixa de 80 anos ou mais, na qual o risco de óbito foi minimizado em 91% e o de hospitalização, em 93%.
Os resultados desta pesquisa apontaram que todas as vacinas estão conferindo grande redução do risco de infecção, apesar de apresentarem limitações inerentes a estudos com dados do mundo real no contexto epidêmico da Pandemia Covid-19 no. Para a população abaixo de 60 anos, todas as vacinas analisadas apresentaram proteção acima de 85% contra risco de hospitalização e acima de 89% para risco de óbito por Covid-19. As vacinas foram aplicadas em ritmos diferentes, na medida da sua disponibilização pela Campanha de Vacinação, e isso acarretou que os diversos grupos prioritários e faixas etárias recebessem vacinas diferentes ao longo do tempo. Os resultados também sugerem que deve ser adequada a aplicação de uma dose de reforço essencialmente para o grupo acima de 60 anos.
Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science
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