Pesquisadores da Northwestern Medicine em Chicago (EUA), usaram a tecnologia de edição de genes CRISPR a fim de descobrir como o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), causador da Aids, consegue sequestrar as células do corpo para se replicar e se espalhar pelos sistemas. A resposta para tal compreensão é o fator limitante para pesquisadores e desenvolvedores de medicamentos há mais de 40 anos.

Por mais que atualmente existam tratamentos com medicamentos eficazes na supressão da replicação e da disseminação do vírus HIV, o coautor do estudo, Judd Hultquist, explica que “esses tratamentos não são curativos, então os indivíduos que vivem com HIV têm que seguir um regime de tratamento rigoroso que requer acesso contínuo a bons cuidados de saúde acessíveis – esse simplesmente não é o mundo em que vivemos”. Segundo o pesquisador, com mais compreensão de como o vírus se replica, os tratamentos podem um dia se tornarem curas.

A equipe de pesquisadores da Northwestern, a qual Hultquist faz parte, fizeram o uso de uma nova abordagem de edição de genes CRISPR para identificar genes humanos que são importantes para a infecção do HIV no sangue. A CRISPR permite realizar modificações genéticas específicas nas cadeias de DNA. Por meio do estudo foi possível encontrar 86 genes que podem desempenhar um papel no modo como o HIV se replica e causa doenças, sendo que mais de 40 deles nunca foram analisados no contexto da infecção.

Para isso, as células T, que são os principais alvos do HIV, foram isoladas de sangue humano doado e tiveram centenas de genes eliminados usando a edição de genes CRISPR-cas9. Posteriormente, essas células foram infectadas com o vírus e analisadas. Aquelas que perderam um gene importante para a replicação viral apresentaram diminuição da infecção, enquanto que as células que perderam um fator antiviral apresentaram aumento da infecção. A equipe então validou os fatores identificados, os excluindo de forma seletiva em novos doadores.

A nova técnica permitirá a triagem de todo o genoma, na qual pode-se eliminar ou ativar independentemente todos os genes do genoma humano para identificar todos os fatores potenciais do hospedeiro do HIV, aproximando ainda mais de estratégias curativas. "O fato de quase metade dos genes que encontramos terem sido descobertos anteriormente aumenta a confiança em nosso conjunto de dados. A parte empolgante é que mais da metade - 46 - desses genes nunca haviam sido analisados ​​no contexto da infecção pelo HIV, então eles representam novos potenciais caminhos terapêuticos para investigar", afirmou Hultquist.

Texto por Dalcio Neto | Ipedss Science

Fontes:

  • CRISPR and HIV: New technique in human blood unveils potential paths toward cure. Science Daily, 2022. Disponível em: <https://www.sciencedaily.com/releases/2022/04/220401160537.htm> Acessado em: 11/05/2022
  • Marin, Jorge. Técnica que usa edição genética mostra potencial para virar cura do HIV. TecMundo, 2022. Disponível em: <https://www.tecmundo.com.br/ciencia/237751-tecnica-usa-edicao-genetica-mostra-potencial-virar-cura-hiv.htm> Acessado em: 11/05/2022

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