
A terapia gênica, também conhecida como terapia genética ou até edição de genes, é um processo inovador, que tem como fundamento a utilização de técnicas que podem ser úteis no tratamento e prevenção de doenças complexas, através da modificação de genes específicos, ao invés da utilização de medicamentos.
Esse tipo de tratamento adiciona ao organismo genes saudáveis, que são chamados de terapêuticos ou de interesse, para substituir, modificar ou suplementar genes inativos ou disfuncionais que causem algum problema de saúde. Ele é utilizado a mais de duas décadas, o seu primeiro teste bem sucedido foi nos anos 90, nos Estados Unidos, em uma paciente que nasceu com um tipo de erro inato do metabolismo.
A partir daí, ocorreram inúmeros avanços, o que deve transformá-la em uma revolução na medicina nos próximos anos. A sua utilização ocorre em vários tipos de doenças como as hereditárias e raras, multifatoriais, mas a tecnologia tem potencial ainda maior para ser utilizada no tratamento de outras doenças graves, como câncer.
No Brasil as pesquisas na área iniciaram em 2005, ocorrendo a idealização de uma Rede de Terapia Gênica, dedicados a fazer pesquisa na área de terapia gênica. Mas a sua real utilização teve início apenas em 2020, para o tratamento das Doenças Hereditárias da Retina (DHR). Raras, elas são causadas por mutações no gene RPE65, que provoca a perda da visão. Logo em seguida, outra terapia gênica foi aprovada no Brasil, dessa vez para tratar pacientes que tenham a doença rara Atrofia Muscular Espinhal (AME).
A terapia genética para tratamento do câncer já é realizada em alguns países e é particularmente indicada para casos específicos de leucemias, linfomas, melanomas ou sarcomas, por exemplo. Este tipo de terapia consiste, principalmente, em ativar as células de defesa do corpo para reconhecerem as células tumorais e conseguirem eliminá-las, o que é feito com a injeção de tecidos ou vírus geneticamente modificados no organismo do paciente.
A sua utilização em tratamento de câncer no Brasil ocorreu apenas em 2022, mais especificamente, para cânceres do tipo hematológico – originados no sangue. A terapia é destinada a pessoas com até 25 anos de idade, que tenham Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) e para pacientes adultos com Linfomas.
Acredita-se que, futuramente, a terapia gênica se torne mais eficiente e substitua os tratamentos atuais para o câncer, entretanto, como ainda é cara e necessita de uma tecnologia avançada, é preferencialmente indicada em casos que não respondem ao tratamento com quimioterapia, radioterapia e cirurgia.
Estudos continuam sendo feitos em diversas áreas terapêuticas para desenvolver e aprovar novas terapias gênicas no Brasil, trazendo uma nova perspectiva para o tratamento das doenças genéticas. A Terapia Gênica e outros temas como a oncogenética, serão assuntos abordados na Segunda Jornada de Biotecnologia do Ipedss.
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Texto por Paula Eduarda Rocha
Fontes:
- Doenças raras: como a terapia gênica pode inovar os tratamentos?. Summit Saúde, 2022. Disponível em: Link . Acessado em: 18/10/2022.
- TERAPIA GÊNICA. Síndrome de predisposição hereditária ao câncer. Pfizer, 2022. Disponível em: Link. Acessado em: 18/10/2022.
- LEMOS, Marcela. Terapia gênica: o que é e como é feita.Tua Saúde, 2021. Disponível em: Link. Acessado em: 18/10/2022.
