
O hábito de fumar traz consequências graves para quem fuma ativamente e para aqueles que inalam a fumaça. O tabagismo é a causa direta de cerca de 50 doenças, sendo boa parte delas capazes de tornar indivíduos incapacitados e que podem levar a consequências fatais, como o câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o tabagismo é a principal causa de mortes evitáveis em todo o mundo, correspondendo a cerca de 63% dos óbitos relacionados à doenças crônicas não transmissíveis.
Entre as substâncias presentes no cigarro, a nicotina é a responsável por estimular a sensação de prazer para o fumante. A inalação contínua da droga faz com que o cérebro se adapte, necessitando de doses cada vez maiores para manter o nível de satisfação. Além da nicotina, o fumante inala mais de 4.720 substâncias tóxicas, como exemplos o monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína, naftalina e fósforo P4/P6 (usado para matar rato). Também são inalados 43 substâncias cancerígenas, como o arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo, resíduos de agrotóxicos e substâncias radioativas, como por exemplo o Polônio 210.
Entre os principais agravos do cigarro na vida dos fumantes estão a doença pulmonar obstrutiva (bronquite e enfisema pulmonar), os cânceres de pulmão, boca, laringe, faringe, esofago, pancreas, rim, bexiga, colo de útero, estômago e fígado. Doenças como coronariana (angina e infarto) e acidente vascular cerebral também são pertinentes em fumantes. O hábito de fumar também pode aumentar o risco de desenvolver outras doenças, como por exemplo, a tuberculose, infecções respiratórias, a úlcera gastrintestinal, a impotência sexual, a infertilidade, a osteoporose e a catarata.
O tabagismo também é associado a complicações por covid-19. Um estudo desenvolvido por pesquisadores das universidades de Oxford e Bristol no Reino Unido, avaliou a relação entre o cigarro e a doença. Segundo o estudo, pessoas fumantes mostraram maior propensão à gravidade e morte por covid-19, correspondendo a 80% mais de chances de hospitalização com covid-19 do que as pessoas que nunca fumaram.
O cigarro também traz consequências para quem fica exposto involuntariamente à fumaça, chamados de fumantes passivos. Essa exposição constante pode acarretar, em um curto período, reações alérgicas como rinite, tosse, conjuntivite, exacerbação de asma. A longo prazo, pode ocorrer infarto do miocárdio, câncer do pulmão e doença pulmonar obstrutiva crônica.
Texto por Dalcio Neto | Ipedss Science
Fontes:
- FioCruz
