
A tuberculose é causada por micobactérias que afetam predominantemente os pulmões, mas que também é capaz de infectar outros órgãos. Apesar de ser bastante comum em países de baixa renda, pelo menos 20 milhões de pessoas em todo mundo sofrem com tuberculose, com 10 milhões de novos casos a cada ano e cerca de 1,5 milhão de óbitos anualmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O principal mecanismo preventivo é a vacina Bacillus Calmette Guérin (BCG), que contém patógenos atenuados da tuberculose bovina. No entanto, ela não é igualmente eficaz contra todos os tipos de tuberculose, isso porque a mesma é capaz de prevenir a chamada meningite tuberculosa e tuberculose miliar em bebês, contudo, é menos eficaz contra a tuberculose pulmonar que é a forma mais comum da doença em diferentes faixas etárias.
Desde a década de 1990 o pesquisador Stefan Kaufmann, diretor emérito do Instituto Max Planck de Ciências Multidisciplinares em Göttingen e do Instituto Max Planck de Biologia de Infecções em Berlim, e sua equipe trabalham em uma vacina aprimorada, chamada VPM1002. Eles modificaram geneticamente a cepa atenuada da vacina BCG para que as células imunes possam reconhecer melhor os patógenos. A vacina foi desenvolvida com o intuito de combinar uma maior segurança e eficácia para crianças imunocomprometidas.
Entre o grupo de crianças imunocomprometidas inclui-se crianças expostas ao HIV nascidas de mães HIV-positivas. Em um ensaio clínico de fase dois, feito na África do Sul, um consórcio internacional de pesquisa, no qual Kaufmann fez parte, comparou a VPM1002 com a BCG em recém-nascidos expostos e não expostos ao HIV. No estudo, 416 recém-nascidos foram selecionados e vacinados antes do 12º dia de vida, sendo que 312 deles receberam a vacina VPM1002 e os outros 104 receberam a vacina BCG. O ensaio mostrou que o VPM1002 desencadeou menos reações adversas relacionadas à vacina do que a BCG, como formação de cicatrizes e abscessos, bem como aumento dos linfonodos.
Além da segurança, o estudo examinou também a resposta imune induzida, a imunogenicidade, associada à formação de células imunes e proteínas imunoestimuladoras. Dessa forma foi comprovada a segurança da VPM1002 em recém-nascidos expostos e não expostos ao HIV, uma vez que ela possui menos efeitos colaterais do que a BCG e provocar uma resposta imune semelhante.
Um outro ensaio clínico de fase três está em andamento e investiga se a VPM1002 pode fornecer proteção comparável ou melhor que as vacinas BCG existentes. Ela é atualmente avaliada em adultos por outros dois ensaios clínicos de fase três que estão sendo desenvolvidos na índia.
Texto por Dalcio Neto| Ipedss Science
Fontes:
- Max Planck Gesellschaft. A vacina contra a tuberculose passa no teste de segurança: estudo. ScienceDaily, 2022. Disponivel em: <www.sciencedaily.com/releases/2022/08/220802105014.htm> Acessado em 2 de agosto de 2022.
- Tameris, Michele D., et al. Safety and immunogenicity of VPM1002 versus BCG in South African newborn babies: a randomised, phase 2 non-inferiority double-blind controlled trial. The Lancet, 2022. Disponivel em: <https://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(22)00222-5/fulltext#articleInformation> Acessado em 2 de agosto de 2022.
