Nos últimos dias o surgimento de vários surtos de varíola dos macacos nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e vários países da Europa trouxe à memória da humanidade a terrível doença que durante séculos arrasou vidas. A varíola é uma das doenças mais mortais que já existiu, e estudos sobre múmias egípcias sugerem que ela pode estar circulando entre nós há pelo menos 3 mil anos, e que foi erradicada da história há mais de 40 anos, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) certificou seu fim em 1980, após uma bem-sucedida campanha de vacinação global.

Agora, a varíola dos macacos está causando o maior surto da doença já visto na Europa. Cientistas estão investigando o que está acontecendo. Ela é uma zoonose silvestre, ou seja, um vírus que surgiu e infecta macacos, mas que incidentalmente pode contaminar humanos (o que ocorre geralmente em regiões florestais da África Central e Ocidental). A doença é causada pelo vírus da varíola dos macacos, que pertence à família dos Orthopoxvírus.

Existem dois tipos de vírus da varíola dos macacos: o da África Ocidental e o da Bacia do Congo (África Central). Embora a infecção pelo vírus da varíola dos macacos na África Ocidental às vezes leve a doenças graves em alguns indivíduos, a doença geralmente é autolimitada (que não exige tratamento).

A taxa de mortalidade de casos para o vírus da África Ocidental é de 1%, enquanto para o vírus da Bacia do Congo pode chegar a 10%. As crianças também estão em maior risco, e a varíola durante a gravidez pode levar a complicações, varíola congênita ou morte do bebê, aponta a OMS.

Os sintomas até assemelham-se com os de catapora e sífilis, aparecem lesões na pele, até formarem uma crosta, que depois cai. Os sintomas iniciais da varíola do macaco são febre, dor de cabeça, dores musculares, dores nas costas, linfonodos inchados, calafrios e exaustão. Lesões na pele se desenvolvem primeiramente no rosto e depois se espalham para outras partes do corpo, incluindo os genitais. O período de incubação da varíola dos macacos é geralmente de 7 a 14 dias, mas pode variar entre 5 e 21 dias.

Ao contrário do coronavírus ou até mesmo da varíola humana, em que o patógeno é altamente transmissível, a varíola dos macacos é menos contagiosa. Até onde se sabe agora, o vírus é transmitido principalmente por meio de contatos próximos e trocas de fluidos corporais. Muitos dos casos na Europa parecem estar ligados à transmissão sexual. Mas todas as vias possíveis estão sendo estudadas, como a transmissão indireta por meio de objetos contaminados e até aerossóis.

Como o vírus da varíola do macaco tem relação com a varíola humana, a vacina contra a varíola também se mostrou eficaz para ambas as doenças. Nesse caso, as pessoas com mais de 55 anos que foram vacinadas contra a varíola humana antes de sua erradicação podem ter uma imunidade considerável contra a varíola dos macacos.

Para o médico infectologista do Hospital das Clínicas da USP Evaldo Stanislau, é uma “questão de tempo” até que o Brasil identifique casos da chamada varíola dos macacos, que começou a se espalhar pela Europa. “Os primeiros casos são relatados no Reino Unido, muito rapidamente para Portugal e Espanha, depois outros países na Europa, e já chegou na Austrália e na América do Norte. Em um mundo globalizado em que você pega um avião e 12 horas depois já está em outro país, é muito provável, questão de tempo, que façamos um ou mais diagnósticos aqui no Brasil”, avalia.

Para se prevenir residentes e viajantes de países endêmicos devem evitar o contato com animais doentes (vivos ou mortos) que possam abrigar o vírus da varíola dos macacos (roedores, marsupiais e primatas) e devem abster-se de comer ou manusear caça selvagem. Higienizar as mãos com água e sabão ou álcool gel são importantes para evitar a exposição ao vírus, além de evitar contato com pessoas infectadas e usar objetos de pessoas contaminadas e com lesões na pele.

Texto por Paula Eduarda Rocha | Ipedss Science

Fontes:

  • Cueto, J. C.Varíola dos macacos: qual a diferença da doença para a varíola humana, erradicada há 40 anos. Disponível em: <https://g1.globo.com/saude/noticia/2022/05/23/variola-dos-macacos-qual-a-diferenca-da-doenca-para-a-variola-humana-erradicada-ha-40-anos.ghtml> Acessado em: 24/05/2022.
  • INSTITUTO BUTANTAN.Varíola dos macacos: o que é a doença, seus sintomas e por que ela afeta humanos. Disponível em: <https://butantan.gov.br/covid/butantan-tira-duvida/tira-duvida-noticias/variola-dos-macacos-o-que-e-a-doenca-seus-sintomas-e-por-que-ela-afeta-humanos> Acessado em: 24/05/2022.
  • TADEU, V.; MALAR, J. P. É questão de tempo até termos casos de varíola dos macacos no Brasil, diz médico.Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/saude/e-questao-de-tempo-ate-termos-casos-de-variola-dos-macacos-no-brasil-diz-medico/> Acessado em: 24/05/2022.

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